A exemplo de Bolsonaro, maior parte dos ministros não vai transmitir cargo a sucessores

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A exemplo do presidente Jair Bolsonaro (PL), pelo menos metade de seus ministros não deve participar das cerimônias de transmissão de cargo previstas para a próxima segunda-feira (2).

Há casos de integrantes do primeiro escalão de férias, já exonerados e outros que não veem clima para o contato.

Pelo levantamento feito pela reportagem, apenas três confirmaram presença na passagem de cargo. O da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, participará de dois eventos, já que sua pasta será desmembrada: prestigia Márcio França, que comandará Portos e Aeroportos, pela manhã e, na terça-feira (3), Renan Filho (MDB-AL), que pilotará a pasta de Transportes.

O chanceler Carlos França participará e discursará na cerimônia que empossará seu colega de carreira Mauro Vieira como ministro do Itamaraty. Também estará presente na transmissão de cargo o titular da Ciência e Tecnologia, Paulo Alvim, que já vem trabalhando com a sucessora, Luciana Santos (PC doB-PE).

Não participam da transmissão aos sucessores Paulo Guedes (Economia), Marcos Montes (Agricultura), Ronaldo Bento (Cidadania), Fábio Faria (Comunicações), Cristiane Britto (Mulher, Família e Direitos Humanos), Victor Godoy (Educação), Paulo Sérgio (Defesa), Daniel Ferreira (Desenvolvimento Regional), Carlos Alberto Gomes de Brito (Turismo), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria Geral) e Adolfo Sachsida (Minas e Energia) .

Indicaram que não devem estar presentes Ciro Nogueira (Casa Civil) e Bruno Bianco (Advocacia-Geral da União). Bianco promete retornar na semana que vem a Brasília para conversar com o sucessor, Jorge Messias.

No caso do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, interlocutores da ministra afirmam que o clima ficou muito ruim com o gabinete de transição pela avaliação que foi feita do trabalho da pasta. Já Faria, Nogueira e Ferreira foram até exonerados de seus postos.

A reportagem não obteve retorno dos ministros Anderson Torres (Justiça), José Carlos Oliveira (Trabalho e Previdência), Marcelo Queiroga (Saúde), Joaquim Leite (Meio Ambiente), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Célio Faria Júnior.

Bolsonaro vai deixar o país para não precisar transmitir a faixa para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O gabinete de transição cogitou convocar brasileiros comuns para realizarem o ato. A missão pode acabar sobrando também para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pela linha sucessória.