Exigência de nota fiscal, uma das facetas do racismo

Quando o racismo limita a liberdade de ir e vir de um cidadão os danos para a saúde mental são inevitáveis. Alguns deles, Lucas Aquino vivencia desde que foi abordado por seguranças de uma unidade da rede de supermercados Pão de Açúcar, em 2017.

Estudante e morador da Chácara Klabin, Zona Sul de São Paulo, ele foi constrangido e acusado de roubo. Buscar ajuda na polícia não adiantou. A a partir de então, para evitar novos incidentes racistas, Lucas optou por nunca mais andar sem notas fiscais que comprovem a origem dos bens que estiver em sua posse. Ele conta um pouco desse dia a dia numa reportagem de vídeo em que narra o episódio de preconceito e as conseqüência para a sua vida.

A Alma Preta pediu um posicionamento da Secretaria de Segurança Pública e até o fechamento desta reportagem, não houve qualquer retorno ou posicionamento sobre o caso. O Pão de Açúcar, por sua vez, afirmou que "tem o respeito e a inclusão como valores e compromissos assumidos em seu Código de Ética e também em sua política de diversidade e promoção dos direitos humanos, e repudia quaisquer atitudes discriminatórias.".

"Informamos que a empresa tomou conhecimento do caso por meio deste contato, e não tem nenhum registro dessa ocorrência em seus canais, seja da época mencionada, ou mesmo recente. Como parte do protocolo habitual, iniciará um procedimento de apuração interna, e tentará contato do cliente para inseri-lo no processo de apuração e tratativa. Lamentamos profundamente que o cliente Lucas tenha passado por essa situação, que não está em conformidade com nossas políticas e valores, e reforçamos que os canais de reclamação e denúncia da companhia dão possibilidade de registro anônimo.".