Existe jogador antivacina no Brasil? Maioria dos clubes falam em 100% de vacinados

·4 min de leitura
Diferentemente de outros países, nenhum jogador de futebol brasileiro ficou famoso por se declarar antivacina. Foto: Getty Images
Diferentemente de outros países, nenhum jogador de futebol brasileiro ficou famoso por se declarar antivacina. Foto: Getty Images

Nos últimos dois anos, o tema da vacinação contra a Covid-19 foi assunto em todas as áreas da sociedade e o futebol não deixou de ser afetado. O esporte tem grande importância social e foi palco de diversas discussões envolvendo liberdades individuais, bem coletivo, normas de vacinação, liberação do público para atender os jogos e o papel dos clubes como empregadores na exigência ou não da imunização.

Em novembro de 2021, a maior parte dos clubes da série A, a elite do futebol brasileiro, reportaram que todos os seus jogadores estavam vacinados, com exceção de 4 equipes: América-MG, Ceará, Cuiabá e Fortaleza. Além do Athletico-PR que não divulgou o percentual do elenco que estava vacinado. Em resposta a reportagem d’O Globo, Juventude e Sport revelaram ter colocado a vacina como obrigatória para os seus jogadores.

Leia também:

O sociólogo Rogério Baptistini, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, lembra que, “o futebol profissional é, para os jogadores e demais envolvidos, uma atividade de trabalho” e “A Convenção nº 155 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 1992, estipula que os países-membros devem exigir dos empregadores medidas que garantam a proteção adequada à saúde e à segurança dos trabalhadores”. Logo, por essa lógica, os clubes cumpriram o seu papel ao incentivar ou em alguns cenários até exigir a vacinação.

Um caso especial é o Bayern de Munique que, se apoiando nas leis do país, chegou a suspender o pagamento de jogadores que, por recusarem a receber a vacina, deixaram de participar de atividades esportivas. O maior nome dentre os jogadores afetados foi o lateral Kimmich, considerado um dos líderes do elenco. Na semana passada o jogador inclusive assumiu ter se arrependido de não ter se vacinado antes pois, além de ter contraído a Covid-19, teve problemas pulmonares devido ao vírus que devem deixá-lo de fora por pelo menos mais um mês. “No geral, era difícil demais para mim lidar com o meu medo e as minhas preocupações. Foi por isso que eu fiquei durante tanto tempo indeciso”, afirmou Kimmich à emissora alemã ZDF.

Esses tipos de preocupações quanto aos efeitos colaterais da vacina, bem como às liberdades individuais de cada pessoa são dois dos argumentos mais usados para justificar a recusa à imunização. O médico sanitarista e professor da faculdade de Saúde Pública da USP, Gonzalo Vecina Neto argumenta, no entanto, que não há alternativa mais eficiente: “No momento ela não é só a arma mais efetiva, mas ela é quase que a única arma. Começam a aparecer agora medicamentos reais para serem usados no tratamento de Covid, esses novos anticorpos, mas que ainda são muito caros e produzidos numa quantidade pequena, então eles ainda não têm capacidade produtiva para conseguir proteger o mundo”.

Sobre como as vacinas afetam as atividades sociais, Gonzalo Vecina Neto diz o seguinte. “A obrigatoriedade da vacina afeta as nossas liberdades individuais, você não é obrigado a tomar vacina, mas você também não é obrigado a conviver com quem não toma vacina. Quem toma a vacina tem um determinado risco de sofrer da doença, mas quem não toma tem um risco muito maior”. O médico sanitarista aponta ainda que enquanto “todas as pessoas, ou a maioria, não estiverem protegidas com a vacina, o vírus continua a se reproduzir” e que com isso “cada vírus produzido tem o risco de um erro em seu processo de cópia, isso que nós chamamos de variantes, os erros, podem ser melhores que o vírus que deu origem aquela variante, essa variante melhor vai se sobrepor sobre a outra. A variante omicron, que veio da Delta, ela se revelou com uma capacidade maior de transmissão que a sua anterior”.

Uma nova variante pode adiar jogos, acarretar em restrição de público e desfalcar elencos em momentos decisivos. No campeonato inglês, alguns técnicos já não descartam levar em consideração o status de vacinação do jogador na hora de contratar. O ex-jogador e atualmente técnico do Aston Villa, Steven Gerrard confirmou que este é um assunto discutido internamente no clube. Outro técnico que falou abertamente sobre se preocupar com os riscos de contratar um jogador não vacinado foi o também ex-jogador Patrick Vieira, o francês atualmente comanda o Crystal Palace.

O sociólogo, Rogério Baptistini ressalta que “os interesses comerciais que pressionaram pela manutenção dos campeonatos e torneios no pico da pandemia” influenciaram e continuam a influenciar na alta taxa de vacinação dos profissionais do futebol”, uma pressão que ele vê com bons olhos, pois “nenhum membro da sociedade política tem o direito de, em nome de sua liberdade individual, colocar conscientemente a vida e a saúde dos demais cidadãos em risco”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos