Exonerado após mandar investigar Salles, Saraiva diz que ministro “legitima ação dos criminosos”

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Alexandre Saraiva será trocado da chefia da PF no Amazonas - Foto: Reprodução/TV Globo
Alexandre Saraiva foi trocado da chefia da PF no Amazonas após notícia-crime contra Salles - Foto: Reprodução/TV Globo
  • Alexandre Saraiva, ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, afirmou que Salles legitimou ações criminosas no estado

  • Saraiva apresentou uma notícia-crime contra Salles no STF

  • Após a denúncia, Saraiva foi exonerado do cargo

Na última terça-feira (18), o ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, o delegado Alexandre Saraiva participou de uma audiência na Câmara dos Deputados para falar sobre a atuação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Segundo Saraiva, o ministro fez uma “inversão” e “tornou legítima a ação dos criminosos, não do agente público” na Amazônia.

Saraiva foi o responsável por apresentar uma notícia-crime contra Salles ao Supremo Tribunal Federal. O delegado alega que o ministro do Meio Ambiente, ao lado de aliados, trabalhar para dificultar ações ambientais no Amazonas.

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“O senhor ministro recebeu da Divisão do Meio Ambiente da Polícia Federal todos os laudos periciais que foram feitos, ele tinha todas as informações necessárias para fazer juízo de valor. A principal empresa que atua na região já recebeu mais de 20 multas do Ibama, deve aproximadamente R$ 9 milhões em multas”, afirmou o delegado da PF às comissões de Legislação Participativa e a de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

“Existe a presunção de ilegalidade e ilegitimidade dos atos do servidor público. O senhor ministro fez uma inversão: tornou legítima a ação dos criminosos, e não do agente público”, disse Alexandre Saraiva.

A denúncia de Saraiva afirmava que Ricardo Salles, o senador Telmário Mota (PROS-RR) e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, tentaram dificultar a fiscalização do poder público em relação às questões ambientais.

Após a notícia-crime enviada ao Supremo Tribunal Federal, Saraiva foi exonerado do cargo no Amazonas. Leandro Almada assumiu o cargo em 20 de abril.

Investigado pela Polícia Federal

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é alvo de uma operação nesta quarta-feira (19) que investiga exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa. Eduardo Bim, presidente do Ibama, também é alvo da ação. As informações são do Portal G1.

A ação conta com 160 policiais federais que atuam no Distrito Federal, São Paulo e Pará. Ao todo, seriam 35 mandados de busca e apreensão. O ministro do Meio Ambiente teve, ainda conforme apuração do G1, seu sigilo fiscal e bancário quebrado. Salles ainda não se pronunciou sobre a operação.

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), deu aval aos mandados. Além de buscas, o magistrado determinou o afastamento preventivo de dez agentes públicos que ocupavam cargos no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e no Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Criticado mundialmente por sua gestão ambiental, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) 'bancou' inúmeras vezes a permanência de Salles no Ministério do Meio Ambiente. Na operação desta quarta, não há pedido de afastamento contra Salles.

Salles já era alvo de uma investigação no âmbito do STF, na qual foi apontado pela PF como defensor dos madeireiros.