Exoplaneta e sua estrela hospedeira são batizados de 'Guarani' e 'Tupi' por brasileiros

Pedro Madeira

RIO — Convidados pela União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) a nomear um exoplaneta (planeta que está fora do sistema solar) e sua estrela hospedeira, os brasileiros decidiram, em votação aberta ao público, batizá-los de Guarani e Tupi, respectivamente.

O planeta, até então nomeado HD 23079, e sua estrela (HD 23079) foram descobertos em 2001. Eles são visíveis do Brasil e suficientemente brilhantes para serem observados com pequenos telescópios.

O Brasil foi um dos 112 países que puderam nomear um exoplaneta sua estrela hospedeira, como parte da campanha NomeieExomundos, iniciada em abril deste ano, em homenagem ao centenário da União Astronômica Internacional.

Para realizar a escolha, a IAU, responsável por nomear corpos celestes (planetas, asteroides e estrelas) formou uma comissão de astrônomos e cientistas que selecionaram 14 pares de nomes populares da cultura nacional.

Segundo o astrônomo Eduardo Penteado, o único brasileiro que participou da comissão, outra iniciativa parecida foi realizada em 2015, quando a IAU também convocou o público para nomear os corpos celestes. Ele conta que o público de cada país participante escolheu o nome do exoplaneta e da estrela que são visíveis por telescópio pequeno da perspectiva de sua capital.

— Dessa vez foi tentamos trazer a nomeação do planeta mais próximo do público. Em função do aniversário de 100 anos da IAU, se pensou dar um passo além, maior e mais inclusivo com a campanha. — disse Penteado.

Dos sete mil votos, "Guarani" e "Tupi" venceram com 15% dos votos. Entre os pares relacionados para à decisão do público, Arara e Sabiá; Caipora e Curupira; Capitu e Bentinho; Dandara e Zumbi; e Iara e Saci.

Em nota, a campanha IAU100 NomeieExomundos disse que os países do Cone Sul batizaram em peso os astros com nomes indígenas, a maioria proveniente do língua tipi-guarani.

A Bolívia escolheu os nomes "Tapecue/Ybaga"; o Paraguai, "Tupã/Tumearandu"; o Uruguai, "Ceibo/Ibirapitá"; e a Argentina, "Nosaxa/Naqaỹa".

De acordo com Penteado, o Guarani é um gigante gasoso e se assemelha ao Júpiter. A distância entre o exoplaneta e a Terra é de 109 anos luz aproximadamente — 1,5x a distância da Terra ao Sol. O astrônomo disse que o Guarani leva dois anos para dar volta na estrela e está mais próximo da Tupi do que Júpiter do Sol.

— Por ser um gigante gasoso, como um "Gigante Júpiter", não se espera que tenha vida de alguma forma, nem água líquida. Ele é imensamente maior que a Terra e não se conhece ainda o núcleo dele — afirmou Penetado.

* Estagiário, sob orientação de Marco Aurélio Canônico