'Expôs um grande número de pessoas', diz juíza ao manter prisão de falso médico que atendia pacientes com Covid-19 no Rio

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RIO - A Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante do falso médico Itamberg Oliveira Saldanha, que atendia pacientes com Covid-19 em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Rio. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, durante audiência de custódia realizada pela juíza Ariadne Villela Lopes.

A magistrada considerou que a conduta de Itamberg, que atendia pessoas com Covid-19 mesmo sem ser médico, "expôs um grande número de pessoas a risco de morte". O falso médico foi preso em flagrante por policiais da 12ª DP (Copacabana) quando trabalhava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Realengo, na Zona Oeste do Rio. Ele é suspeito de trabalhar ao menos em outras quatro UPAs.

Na terça-feira, dia da prisão, a filha de uma idosa procurou a delegacia para relatar que ela tinha sido atendida por Itamberg na UPA no último dia 8. A paciente, transferida para um hospital estadual, acabou morrendo uma semana depois. Em sua decisão, a juíza citou o caso da idosa como exemplo da gravidade da conduta de Itamberg.

Outros casos:Família de paciente que morreu uma semana após ser atendida por falso médico em UPA no Rio procura a delegacia

De acordo com as investigações, Itamberg usava o nome e o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) do médico Álvaro Pereira de Carvalho. As investigações da Polícia Civil tiveram início após Álvaro ter procurado a delegacia para relatar que um homem estava usando seu nome e CRM na UPA de Realengo, atuando como falso médico.

Na terça-feira, policiais da delegacia de Copacabana estiveram na unidade de saúde e prenderam em flagrante Itamberg, que foi contratado utilizando o nome e CRM de Álvaro. No bolso do suspeito, os agentes encontraram um carimbo com os dados do verdadeiro médico.

Segundo informações da Polícia Civil, Itamberg atendia na sala amarela, na ala de pacientes com Covid-19, e chegou a ser vacinado contra a doença. A estimativa é de que o falso médico tenha feito mais de 3 mil atendimentos desde janeiro deste ano. Segundo informações da polícia, Itamberg realizava uma média de 70 atendimentos por plantão.

Itamberg foi vacinado contra a Covid-19 no lugar de Álvaro. Quando o verdadeiro médico tentou ser imunizado, foi impedido porque seu nome já constava como pessoas que tinham recebido uma dose contra a Covid-19. Apenas após consegui esclarecer o que havia ocorrido, Álvaro conseguiu se vacinar.

A delegada titular da 12ª , Bianca Lima, afirma que ficou estarrecida com o fato de Itamberg estar trabalhando em uma ala para pacientes da Covid.

- É uma doença na qual os pacientes podem ter quadros que evoluem muito mal e forma rápida. Então o tratamento precisa de um olhar bem especializado, técnico. É uma situação absurda - analisa a delegada.

Aos policias, informalmente, Itamberg relatou que estudou medicina na Universidade Gama Filho até o 6º período. No entanto, acabou ficando sem dinheiro para custear os estudos, deixando de frequentar a universidade. Ele admitiu não ser médico. Um dos policiais responsáveis pela prisão do falso médico esteve recentemente internado no CTI de um hospital particular com Covid-19.

O falso médico foi autuado em flagrante pelos crimes de tentativa de estelionato, falsa identidade e exercício ilegal da medicina.

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