Expectativa de dias vira festa da vitória com dança na rua e buzinaço na cidade de Biden

Paola de Orte
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Foto: Paola de Orte
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WILMINGTON, EUA — Foram dias de espera no estacionamento do centro de convenções de Wilmington, onde Joe Biden iria discursar assim que sua vitória fosse declarada. Apoiadores do democrata chegavam pela manhã com cadeiras de praia, alguns depois de dirigir por horas, equipados para ficar o quanto fosse preciso. A noite de sexta foi pura expectativa: se aguardava que a espera tivesse fim ali. Não teve: centenas se reuniram, mas terminaram a noite sem tirar da garganta o grito final.

Só no sábado pela manhã a notícia veio, e o estacionamento virou pista de dança: a imprensa americana projetava a vitória de Joe Biden para a Presidência dos EUA a partir dos resultados da Pensilvânia. Negros e brancos, mulheres e homens, jovens e idosos de máscaras faziam coreografias e gritavam para os carros que passavam buzinando na rua: “Nós conseguimos.”

— Eu chorei o tempo todo no caminho para cá, me sinto incrível — disse Pam Rigby, 62 anos moradora de Townson, Maryland, que dirigiu uma hora de ida e outra de volta dois dias seguidos para ver Joe Biden. — Podemos começar a nos curar agora.

Os apoiadores do ex-vice-presidente de Barack Obama usavam máscaras com mensagens políticas, como a imagem da falecida juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg ou os dizeres “nós nos levantamos juntos” e “eu não consigo respirar”. Eleitores negros compareceram em peso.

— Isto é parte da História — disse o caminhoneiro Harry Brown, 58 anos. — Este é meu filho. Eu quis vir até aqui para ensinar para ele os seus direitos. Quero que ele saiba que ele tem tanto valor, é tão importante quanto qualquer outra pessoa no mundo.

Um jovem usando uma máscara escrito “Biden”, chapéu de caubói e pandeiro meia lua na mão ensinava uma senhora de cabelos brancos a dançar o “Cupid Suffle”, coreografia repetida em cidades americanas durante as manifestações do movimento Vidas Negras Importam.

Outra senhora de cabelos brancos abraçava a neta e contava emocionada que fez questão de levar a jovem para ver a comemoração.

— Somos de Delaware, ficamos muito felizes que Joe Biden tenha sido eleito — disse Judy Stoffer, interrompendo a entrevista para ouvir os eleitores cantarem a capela “God bless America”, música composta por Irving Berlin durante a Primeira Guerra Mundial, porém adotada como hino não oficial dos americanos durante a Segunda, na luta contra o fascismo.

As comemorações se repetiram em outros pontos dos EUA. Na Pensilvânia, estado que determinou o resultado da eleição, a festa aconteceu em frente à prefeitura da Filadélfia, com cartazes e faixas com os dizeres “os eleitores decidem”.

Em Nova York, cidade natal do presidente Donald Trump, milhares se aglomeraram em frente à Trump Tower, no coração de Manhattan, na Times Square, no Columbus Circle ou no Grand Army Plaza no Brooklyn para celebrar a vitória de Joe Biden. Houve festa ainda em locais como Chicago, Illinois; Atlanta, na Geórgia; e mesmo na capital, Washington, com manifestantes se concentrando nas proximidades da Casa Branca.

Enquanto um lado comemorava, outro protestava. No Arizona, apoiadores de Trump se reuniram em frente à sede administrativa do estado, em Phoenix. Entre os manifestantes haviam civis armados. O mesmo aconteceu próximo ao capitólio estadual do Texas, estado em que o presidente teve a maioria dos votos. Lá, os eleitores de Trump gritavam “parem o roubo”.