Expedição da NOAA e da Universidade dos Açores analisa fundo do mar em alta resolução

O campo hidrotermal de Moytirra, descoberto em 2011, cerca de 420 milhas a norte da ilha Graciosa, nos Açores, é uma das áreas de pesquisa da segunda fase da "Voyage to the Ridge 2022" (“Viagem à Cordilheira 2022”), uma expedição liderada pela agência norte-americana de investigação oceânica e atmosféria (NOAA), em colaboração com o instituto Okeanos, da Universidade dos Açores.

Ana Colaço, investigadora de biologia marinha de alta profundidade da Okeanos/UAC, sublinha que "o bom desta missão é que é uma missão colaborativa".

"Em vez de haver um navio com cientistas, existe um navio com três cientistas, mas depois também vários cientistas em terra que ajudam a planear. Nós oferecemo-nos para ter aqui um centro porque estamos todos muito interessados", afirmou Ana Colaço à RTP Açores.

O interesse é óbvio: aprofundar o conhecimento do fundo do mar da zona económica exclusiva (ZEE) dos Açores aproveitando a tecnologia de ponta da NOAA.

Tudo o que é recolhido pelo veículo operado remotamente (ROV) é depois analisado no centro de controlo do Okeanos, na Horta, ilha do Faial.

"Estamos em comunicação direta com eles. Acompanhamos o mergulho desde que o ROV chega ao fundo até que volta para a superfície e vamos dizendo quais são aquelas áreas que têm mais interesse ou aquelas amostras que achamos ser importante a recolha para depois podermos fazer uma identificação no laboratório", explicou Carlos Dominguéz-Carrió, investigador de ecologia marinha no Okeanos/UAc.

O objetivo da expedição norte-americana é analisar o mar profundo da dorsal médio-atlântica. Resulta de uma colaboração entre investigadores americanos e europeus, reforçando o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos Açores.

Investigador do Instituto do Mar (IMAR) e também do Okeanos, Telmo Morato tem liderado expedições pela cordilheira submarina do centro-Atlântico e conta que "este ano" já foram efetuados "cerca de 60 mergulhos" utilizando as câmaras submarinas disponíveis nos Açores, que percorreram "uma área equivalente mais ou menos a 30 quilómetros de fundo".

"Um dos problemas com que nos deparamos na utilização do nosso sistema de câmaras é que nós não conseguimos recolher amostras biológicas e há muitas espécies que filmamos com o nosso sistema que não conseguimos identificar nem pôr um nome", lamentou Telmo Morato.

A possibilidade de usarem agora os ROV da NOAA veio permitir registar imagens de alta resolução a vários quilómetros de profundidade e inclusive recolher amostras.

O último mergulho desta segunda fase da "Viagem à Cordilheira" açoriana acontece esta sexta-feira.

A terceira fase da expedição liderada pela agência norte-americana vai decorrer entre 6 de agosto e 2 de setembro, na plataforma a sul do arquipélago dos Açores.

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