Por que o explante de silicone virou tendência?

Explante de silicone está em alta e há debates importantes por trás desse movimento (Foto: Getty Images)
Explante de silicone está em alta e há debates importantes por trás desse movimento (Foto: Getty Images)

O início de um sonho: aumentar o tamanho dos seios. Deu tudo errado: arrependimento causado por alguma complicação ou simplesmente pelo entendimento de que a decisão de se submeter a um procedimento tão invasivo foi motivada por padrões de beleza que, felizmente, já não fazem sentido para muitas. Assim, o explante de silicone se tornou uma tendência entre famosas e anônimas.

“O aprofundamento das discussões sobre autoaceitação definitivamente se reflete nos consultórios, no crescimento do número de pacientes que buscam reverter essa e outras intervenções estéticas”, diz o cirurgião plástico Wilian Pires. “Há, por exemplo, mulheres que aproveitam a necessidade da troca das próteses para simplesmente retirá-las. Outras nem esperam ter que fazer isso e, espontaneamente, optam por esse movimento”, completa.

Além dos debates sociais, a repercussão de casos como o da ex-BBB Amanda Djehdian soa como um alerta para quem já passou por esse tipo de implante. "Há 14 anos, por vaidade, pressão e insegurança, fiz algo que me disseram ser superseguro. Mal sabia a maldade que eu estava fazendo com meu corpo, que automaticamente passou a tentar me proteger. Comecei a apresentar muitos sintomas sem explicação. Após trocar as primeiras próteses, fiquei ainda pior e, de um ano para cá, meu corpo grita por socorro. Cabelo caindo, fadiga crônica, desmaios, vômitos, enxaquecas, sudorese noturna, perda de memória, dores musculares, moscas volantes na visão e outros problemas apareceram ou se intensificaram", relembrou ela no final de 2020, ao anunciar a retirada do silicone.

À revista "Vogue Brasil", Fiorella Mattheis, que também fez um explante, contou que sempre foi feliz com o próprio corpo, mas a cobrança do mercado de trabalho quando ainda era modelo a levou a procurar um cirurgião plástico. O desejo de se ver livre das próteses, por outro lado, veio três anos depois, por causa de dores intensas e outras consequências de um quadro de displasia mamária aguda. “Meu explante foi complicado porque tinha uma prótese rompida e muita inflamação. Entretanto, dei muita sorte e o resultado não poderia ser melhor”, relatou a atriz, que apesar de tudo não quer incentivar que outras mulheres façam o mesmo sem uma necessidade real, endossada por um médico.

Também não há como não mencionar a influencer Evelyn Regly, que durante nove meses correu risco de uma séria infecção por uma complicação na cicatrização. "Foram inúmeras idas à emergência. E quando eu falo que os riscos [de colocar silicone] não são divulgados, não estou falando apenas dos riscos da cirurgia, como a intubação, a anestesia e afins. Estou falando sobre como um corpo estranho no seu organismo pode afetar a sua saúde. E isso vai muito além do que passei", desabafou ela no Instagram.

Para evitar situações como essas, fora os cuidados durante e depois da cirurgia, o médico Wilian Pires ressalta que "é preciso verificar o antecedente pessoal e familiar da paciente relacionado a doenças autoimunes e, eventualmente, solicitar a avaliação de um reumatologista". "Vale lembrar também que, se o explante for necessário, não é preciso ter receio de flacidez, por exemplo, já que podemos associá-lo à retirada do excesso de pele e à lipoenxertia mamária, que nada mais é do que injetar gordura na região", pontua o especialista.

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