Explante mamário: retirada de próteses de silicone é alvo de debate

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RIO — Em 2008, a funcionária pública Renata Iannarelli se submeteu a uma cirurgia de implante de próteses de silicone. Foram 250ml em cada seio. Há três meses, ela fez o caminho inverso, o chamado explante. É uma cirurgia que vem ganhando destaque nas rodinhas de conversa entre amigas e também nos consultórios médicos, principalmente depois de mulheres famosas, como a atriz Fiorella Mattheis e a ex-Spice Girl Victoria Beckham, anunciarem a retirada.

Renata, de 48 anos, conta que em 2018 começou a sentir dores:

—Fiz uma ressonância, que detectou dois cistos. O mastologista me disse que não tinham relação com as próteses e que eu não precisava operar.

Moradora de Ipanema, ela lembra que em 2019 as dores aumentaram:

—Eu já não conseguia mais dormir de lado, e a mama direita começou a ficar bem maior que a outra. Aí decidi pesquisar cirurgiões plásticos especializados neste tipo de cirurgia, como o médico Bruno Herkenhoff, que me operou.

Com 164 mil seguidoras no Instagram, o perfil @explantedesilicone reúne desde reportagens sobre o assunto a depoimentos de mulheres que optaram pelo procedimento.

Os motivos que têm levado pacientes à busca do explante são variados. Muitas mulheres atribuem ao implante de silicone um conjunto de sintomas que vão de fadiga e depressão a dor nas articulações e queda de cabelo. Apesar de a chamada Doença de Silicone ser erroneamente referida como sinônimo da Síndrome ASIA, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica esclarece que são situações diferentes. A Organização Mundial da Saúde ainda não reconhece o Doença do Silicone como uma doença real. Já a Síndrome ASIA é uma alteração autoimune que pode ser desencadeada por substâncias estranhas ao organismo e capazes de gerar um processo inflamatório crônico em pessoas com predisposição.

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e ex-presidente da regional do Rio de Janeiro, o cirurgião plástico André Maranhão explica que é importante avaliar a estrutura mamária e o comportamento psicológico da paciente para não confundir a vontade de fazer o explante com modismo ou quadro depressivo.

— Provavelmente, a paciente lidará com incisões maiores e eventual flacidez remanescente. É necessário pensar bem nesta opção, tanto quanto na colocação dos implantes, principalmente em função da necessidade de monitoramento contínuo. A remoção definitiva é uma nova cirurgia que produzirá um resultado menos encantador do ponto de vista estético. Não podemos tratar como uma coisa simples e banal, mas sim como um tratamento cirúrgico que exige uma maior habilidade do cirurgião plástico para a adaptação dos tecidos remanescentes.

Diretor da regional Rio da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o cirurgião plástico Bruno Herkenhoff confirma que a procura por explantes vem aumentando em seu consultório, que fica em Ipanema:

— Hoje, tenho feito mais explantes do que implantes. Por mês, são cerca de 20. Posso dizer que tenho praticado muito este tipo de procedimento.

Informações seguras sobre o tema

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e a Sociedade Brasileira de Reumatologia lançaram em março deste ano a campanha Mitos e Verdades, para possibilitar o acesso a informações seguras sobre a Doença do Silicone, assim denominada nas redes sociais, e sobre a Síndrome ASIA e suas manifestações. No último ano, segundo a SBCP, pesquisas no Google sobre essas doenças cresceram 350%. Relacionadas a elas, buscas sobre explante de silicone apresentaram aumento de 170%. Por serem relativamente novas, a ASIA e a Doença do Silicone têm sido alvo de fake news que têm alarmado mulheres e gerado busca por procedimentos cirúrgicos como medida preventiva. A campanha da SBCP está disponível no site www.doencadosilicone.org.br e nas redes sociais das duas instituições.

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