Trump defende lealdade de seu advogado pessoal diante de possível acusação

Washington, 21 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu neste sábado a lealdade de seu advogado pessoal, Michael Cohen, diante dos rumores de sua possível acusação, depois que o FBI, a polícia federal americana, cumpriu na semana passada um mandado de busca e apreensão em seu escritório e no quarto de hotel em que estava hospedado.

O jornal "The New York Times" informou ontem que Cohen, casado e com dois filhos, estaria pensando em colaborar com as autoridades caso seja indiciado, uma possibilidade que está sobre a mesa depois da ação do FBI.

Trump saiu em defesa de seu advogado e criticou o jornal por "tentar destruir Michael Cohen" e a relação existente entre ambos.

"O 'The New York Times' e uma jornalista de terceira categoria chamada Maggie Habberman, conhecida como 'Crooked H flunkie' ('serva da ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton'), com quem não falo e com quem não tenho nada a ver, se esforçam para destruir Michael Cohen e sua relação comigo, esperando que ele 'se torne um delator'", escreveu Trump no Twitter.

Trump criticou a metodologia do jornal e garantiu que o mesmo usou "fontes inexistentes" e a opinião de um "bêbedo/drogado que odeia Cohen" (Sam Nunberg, ex-assessor do presidente).

Após as acusações de Trump, o "The New York Times" afirmou através de suas redes sociais que está "extremamente orgulhoso de Habberman, que é parte de uma equipe que acaba de ganhar um Prêmio Pulitzer".

"Respaldamos nossa história e nossa notícia. Aqui está o link", acrescentou a publicação nova-iorquina em um de seus perfis oficiais do Twitter.

"Sinto muito, não vejo Michael fazendo isso (se tornar um delator) apesar da horrível caça às bruxas e dos veículos de imprensa desonestos!", disse Trump, que está em Mar-a-Lago, seu exclusivo clube privado em Palm Beach, no sul da Flórida, em uma série de tweets.

O FBI cumpriu um mandado de busca e apreensão em 9 de abril no escritório de Cohen em Nova York e confiscou documentos relacionados com diferentes assuntos, entre eles os supostos pagamentos de até US$ 130 mil que fez à atriz pornô Stormy Daniels para que ela mantivesse silêncio sobre a relação que supostamente manteve com Trump.

Os agentes também apreenderam documentos vinculados a Karen McDougal, uma ex-modelo da Playboy que alega ter mantido um caso com Trump, que durou quase um ano.

Tanto a ex-modelo como a atriz pornô trataram vender suas histórias a veículos de imprensa na reta final da campanha eleitoral de 2016, quando a imagem de Trump estava muito prejudicada por comentários sexistas e pelas acusações de assédio de muitas mulheres.

No entanto, as duas foram silenciadas e, no caso da atriz pornô, o responsável foi o próprio Cohen, que teria pago US$ 130 mil a ela para que mantivesse o romance em segredo.

Como esse pagamento de US$ 130 mil ocorreu na reta final das eleições, há especialistas que afirmam que esse dinheiro tinha como objetivo melhorar a imagem de Trump como candidato e, portanto, é uma doação de campanha não declarada, o que viola as leis americanas sobre financiamento eleitoral. EFE