Governo e partidos da Espanha exigem que ETA peça perdão sem distinções

Madri, 21 abr (EFE).- Responsáveis de governo e dos principais partidos políticos da Espanha reivindicaram neste sábado que a organização terrorista ETA admita o dano causado "a todas" as vítimas, sem distinções, e insistiram que sua dissolução deve ser "real e definitiva".

O grupo terrorista, que assassinou 856 pessoas durante seus quase 60 anos de existência, tornou público na sexta-feira um comunicado no qual expressou seu pesar pela dor provocada a todos os atingidos por suas ações e pediu "perdão" às vítimas que não estavam relacionadas "diretamente" com o que eles qualificam de "conflito".

Um dia antes, o ETA tinha informado que anunciaria sua dissolução em 5 de maio.

"Com a lei e apenas com a lei" foi vencida a organização terrorista, "sem oferecer nada em troca", garantiu hoje o ministro da Justiça da Espanha, Rafael Catalá, que criticou o fato de o ETA não ter pedido perdão, entre outras vítimas, à Guarda Civil, um corpo policial fortemente afetado pelas ações dos terroristas.

O presidente do Partido Popular (PP, centro-direita) na região do País Basco, Alfonso Alonso, assegurou que o ETA "jamais será perdoado" e qualificou o comunicado do grupo de "repugnante" e "imoral", escrito "por uma mente psicopata, incapaz de sentir remorso e arrependimentos sinceros por seus crimes".

Por sua vez, o líder do Partido Socialista e Operário da Espanha (PSOE), Pedro Sánchez, considerou a dissolução da organização terrorista como "um passo importante", que espera que seja "o final definitivo", mas afirmou que na memória ficarão "as vítimas, os familiares, políticos, juízes, promotores, corpos e forças de Segurança do Estado e companheiros" que foram assassinados.

Já o presidente do Ciudadanos (liberais), Albert Rivera, questionou o comunicado do ETA que, além do "terror, semeou a mentira", e advertiu que não se permitirá que os terroristas mudem a história da Espanha e obtenham privilégios por sua dissolução.

"Sim, houve vencedores e vencidos, houve bons e maus, houve heróis e vilões, houve gente que atirava e gente que infelizmente perdeu sua vida e famílias que foram destruídas", ressaltou o político liberal.

O presidente do governo regional do País Basco, Iñigo Urkullu, também exigiu que a organização terrorista anunciasse sua dissolução com uma declaração "clara, sóbria e com intenção reparadora", que reconheça "a injustiça e a imensa dor que provocou", sem distinções.

O ETA surgiu entre os anos de 1958 e 1959, durante a ditadura de Francisco Franco, como organização socialista revolucionária de libertação nacional, mas, com o tempo, ganhou força o componente nacionalista e independentista e o uso sistemático da violência.

Desde então, o grupo é considerado responsável pela morte de 856 pessoas e 79 sequestros. EFE