Quase 10 mil etíopes chegam ao Quênia em menos de uma semana buscando refúgio

Nairóbi, 16 mar (EFE).- O número de etíopes que chegaram desde o último domingo ao Quênia fugindo da violência e dos protestos constantes no sul da Etiópia é de quase 10 mil, informou nesta sexta-feira a Cruz Vermelha queniana.

"O número de pessoas deslocadas da Etiópia subiu para 9.667, pois continuam cruzando a fronteira entre a Etiópia e o Quênia para procurar refúgio", disse a organização humanitária em comunicado.

A Cruz Vermelha queniana, que dá assistência aos deslocados em cinco centros próximos à fronteira desde que estes começaram a chegar no sábado durante a noite, está realizando controles nutricionais para estabelecer as necessidades das crianças menores de 5 anos, mulheres grávidas e amamentando.

Além disso, a organização está tratando de doenças frequentes como diarreias, infecções respiratórias, pneumonias e problemas oculares e dermatológicos.

Cerca de 80% dos requerentes de asilo são mulheres e crianças, escreveu hoje a encarregada de comunicação do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Quênia, Rose Ogola, em sua conta do Twitter.

Os números de novas chegadas divulgados pela organização podem não ser precisos devido ao fato de muitos dos etíopes que chegam estarem sendo ajudados por familiares e amigos no Quênia.

Os relatos de refugiados recolhidos durante esta semana pelo jornal "Daily Nation" falam de batidas contra casas e mesquitas nas quais os soldados abateram pelo menos 13 pessoas

A maioria dos requerentes de asilo se concentra na cidade fronteiriça de Moyale e na região de Sololo, no norte do Quênia.

"Não há comida, água potável nem alojamento. Embora nenhum caso tenha sido detectado por enquanto, não podemos descartar um surto de cólera se não houver ação frente à situação", apontou a coordenadora da Cruz Vermelha queniana no nordeste do país, Talaso Chucha, em declarações recolhidas pelo jornal "Daily Nation" na última quarta-feira.

Na semana passada as forças de segurança da Etiópia admitiram ter assassinado nove civis e ferido outras 12 na localidade de Moyale, situada em um ponto estratégico de comércio na fronteira, ao confundi-los com militantes de um grupo opositor separatista considerado terrorista pelo governo de Adis Abeba, a Frente de Libertação Oromo (OLF).

Além disso, outras sete pessoas morreram na mesma semana em outros incidentes pelas mãos das forças de segurança.

A Etiópia declarou estado de emergência em 16 de fevereiro, um dia depois do anúncio da renúncia - ainda não efetiva - do primeiro-ministro, Hailemariam Desalegn, com intenção de acalmar os protestos nas regiões de Amhara e Oromia.

No entanto, o efeito foi o inverso e o número de mortes de civis vítimas do exército aumentou. EFE