Explosão em igreja cristã deixa dezenas de mortos e feridos no Egito

DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Uma explosão na igreja egípcia de Mar Girgis, na cidade de Tanta, deixou ao menos 25 mortos e 79 feridos durante celebrações do Domingo de Ramos (9), semanas antes da visita do papa Francisco.

Tanta está localizada no delta do Nilo, menos de cem quilômetros ao norte da capital. Uma bomba matou um policial e feriu 15 nessa cidade, neste mesmo mês.

Imagens divulgadas pela mídia local mostram os bancos da igreja ensanguentados, entre fumaça. Alguns corpos estão estirados no chão, cobertos por papel.

O incidente, que parece ter sido um atentado terrorista, ainda não foi reivindicado por nenhuma organização.

Mar Girgis é o nome dado no Egito a São Jorge. Os coptas, ramo egípcio do cristianismo, correspondem a cerca de 10% da população de mais de 90 milhões. Apesar de os atritos no dia a dia serem raros, houve outros episódios de violência sectária durante os últimos anos.

A onda de ataques foi intensificada depois da derrubada do presidente islamita, Mohammed Mursi, que representava a Irmandade Muçulmana. Islamitas culpam cristãos por terem apoiado o golpe militar de 2013, que encerrou o seu governo.

A organização terrorista Estado Islâmico, que assumiu um ataque contra outra igreja copta em dezembro de 2016, com 25 mortos, havia voltado a ameaçar cristãos em um comunicado divulgado em fevereiro deste ano.

Essa milícia radical, baseada na Síria e no Iraque, tem um importante braço no norte do deserto do Sinai.

Famílias cristãs deixaram a região do Sinai em fevereiro após uma onda de assassinatos por essa milícia.

PAPA

O ataque à igreja neste domingo aumentará a pressão para que o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, incremente a segurança e impeça novos ataques.

Seu governo, substituindo o islamita Mursi, se baseia em parte em sua habilidade de estabilizar esse país, que passa ademais por uma grave crise econômica.

A explosão na igreja copta coincide, ainda, com a visita do papa Francisco, prevista para o fim deste mês, o que colocará a tensão sectária ainda mais em debate.

Cristãos egípcios não enfrentam apenas a violência de grupos radicais islamitas. Ativistas acusam também o governo de discriminá-los.

Tribunais têm condenado coptas com base em um artigo do Código Penal que pune a blasfêmia. Foram três casos em 2011, durante a revolução que derrubou o então ditador Hosni Mubarak. Em 2015, quando Sisi já era seu presidente, foram 21.

Um dos casos mais emblemáticos dos últimos anos é o dos adolescentes que foram condenados a cinco anos de prisão por gravar um vídeo ridicularizando o Estado Islâmico –o que foi considerado pelo vilarejo como um desrespeito ao islã.

Os jovens dizem que estavam criticando a facção terrorista, no vídeo, por ter matado 21 cristãos egípcios trabalhando na Líbia em 2015.