Explosão em mesquita no leste do Afeganistão deixa três mortos

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Atentado em Nangarhar deixou três mortos e 15 feridos (AFP/-)

Ao menos três pessoas morreram e 15 ficaram feridas em uma explosão nesta sexta-feira (12) em uma mesquita na província de Nangarhar, leste do Afeganistão, que virou o epicentro da recente onda de violência entre o Talibã e o grupo rival Estado Islâmico.

De acordo com fontes talibãs, a explosão aconteceu durante a oração de sexta-feira dentro de uma mesquita no distrito de Spin Ghar. Até o momento o ataque não foi reivindicado.

Duas pessoas foram presas, segundo o gabinete do governador de Nangarhar, que informou que as "investigações continuam".

"Até o momento, temos três mortos e 15 feridos", disse à AFP um médico do hospital local. Entre os feridos está o imã da mesquita.

Porém, um responsável talibã da segurança, Qari Attiqullah, afirmou que a explosão causou 20 feridos e nenhum morto.

A mesquita atacada era frequentada pelos talibãs, de acordo com um jornalista da AFP. Ataques anteriores tiveram como alvo locais de culto da minoria xiita.

A bomba estava escondida em um alto-falante, próximo do local em que estava o imã, afirmou à AFP Walli Mohammed, morador do bairro.

A explosão aconteceu no momento em que alto-falante foi ligado para o início da oração.

O ataque aconteceu nas proximidades de Jalalabad, cidade do leste do Afeganistão próxima da fronteira com o Paquistão e que se tornou um reduto do braço afegão do grupo extremista Estado Islâmico, que é conhecido como de EI-K.

A imprensa local informou nas últimas semanas uma série de assassinatos na província de Nangarhar, atribuídos a conflitos entre talibãs e combatentes do EI-K.

Desde que tomou o poder no Afeganistão em 15 de agosto, o Talibã, que considera a segurança uma prioridade após 20 anos de guerra, enfrenta uma onda de atentados violentos executados pelo EI-K.

O grupo Estado Islâmico atacou nas últimas semanas os talibãs e a minoria xiita afegã.

Criado em 2014 e presente sobretudo no leste do Afeganistão, o EI-K é um grupo islamita sunita, como o Talibã, mas ainda mais rigoroso e defende uma "jihad global".

Este grupo é responsável pelo sangrento ataque de agosto no aeroporto de Cabul, quando os americanos e seus aliados retiravam seus cidadãos e cidadãos afegãos em meio ao caos. Treze soldados americanos e cem afegãos morreram.

Um dos atentados mais recentes, executado no início de novembro contra o Hospital Militar Nacional de Cabul, matou pelo menos 19 pessoas, incluindo um dirigente talibã, e deixou quase 50 feridos.

Mais de 120 pessoas morreram em ataques do EI nas últimas semanas em duas mesquitas frequentadas pela comunidade hazara, uma minoria xiita, em Kandahar (sul) e Kunduz (norte).

Mas o governo Talibã tenta minimizar publicamente a ameaça.

O braço do EI no Afeganistão "está mais ou menos sob nosso controle e não é uma grande ameaça", afirmou na quarta-feira o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, em uma entrevista coletiva durante a qual anunciou 600 detenções relacionadas com o grupo rival nos últimos meses.

A segurança é, juntamente com a crise econômica e humanitária, um dos principais desafios para o novo regime do Talibã.

A ONU advertiu que o país está à beira da pior crise humanitária do mundo. Mais da metade da população enfrenta grave escassez de alimentos e o inverno iminente obriga milhões de pessoas a escolher entre emigrar ou morrer de fome.

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