Exposição no Reina Sofía mostra a arte experimental latino-americana dos anos 60 aos 80

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Imagens da Tropicália, vista como uma manifestação de contracultura, experimentação e resistência que ultrapassou fronteiras, começaram a ser exibidas no Museu Reina Sofía, em Madri, na semana passada. Lá estão Hélio Oiticica e sua bandeira-manifesto “Seja marginal, seja herói”, capas de discos de Caetano, Gal e Gil, um fragmento de “Terra em transe”, de Glauber Rocha, e documentos sobre o filme que o cineasta rodou na Espanha quando estava exilado. Tudo isso é apenas parte de uma exposição que se espalha por dez salas dedicadas às manifestações artísticas latino-americanas de fins dos anos 1960 ao início dos 1980.

“Os inimigos da poesia. Resistências na América Latina” é o título da mostra que corresponde a uma das etapas de um projeto ambicioso de reordenação de toda a coleção permanente do Reina Sofía. A exposição reúne mais de cem obras, a maioria nunca exibida no museu, em diferentes formatos, como vídeos, instalações, foto-livros e performances. Estão representados artistas da Argentina, Chile, Uruguai e Peru. Do Brasil há ainda Ivan Cardoso, Anna Bella Geiger e Claudia Andujar. Tem mais: Augusto de Campos, desenhos e fotografias de peças do Teatro Oficina e uma sala com os projetos de Walter Zanini.

Uma das obras, o conjunto de serigrafias em papel “Middle class & co” (1971), de Regina Silveira, foi adquirida no ano passado. Honrada com a aquisição, a gaúcha, de 82 anos, professora, artista multimídia e pioneira da videoarte no Brasil, diz que o trabalho “tem um significado político claro e é reflexo de uma época, na qual havia a guerra do Vietnã, a ditadura no Brasil, o franquismo na Espanha”. E vê o conjunto da exposição como necessário para resgatar essa dimensão experimental e global do período: “Há necessidade de retratar a história dos anos 1970 na América Latina”.

É essa busca que norteia a exposição, nas palavras do diretor do museu, Manuel Borja-Villel: “O critério para a seleção das obras foi destacar a América Latina como um importantíssimo foco de experimentação artística e, por outro lado, abordar sua realidade como um conceito complexo, amplo, plural e diversificado, que abarca inúmeros países. Cada um com suas particularidades”.

Villel diz que as obras apresentadas “mostram que o Brasil foi fundamental para colocar a arte latino-americana em diálogo com a internacional”. E que o país funcionou como “um laboratório que abandonou os paradigmas da arte ocidental para trilhar seu próprio caminho”. Vale a visita, ao vivo ou pelo site do museu.

Para a equipe de curadoras, da qual participa a brasileira Isabella Lenzi, a proposta foi discutir e contestar a ideia de que a neovanguarda da América Latina é periférica em relação à da Europa e dos Estados Unidos. Divulgar essa produção artística é o ponto de partida.

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