Exposição resgata a importância de Manuel Messias para o cenário da arte brasileira

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RIO — Nascido em Sergipe, em 1945, Manuel Messias foi um gravador e desenhista que teve uma intensa produção a partir dos anos 1960 até sua morte, em 2001. Por conta de problemas psiquiátricos, acabou enfrentando situações de extrema pobreza nos seus últimos dez anos de vida, chegando a morar nas ruas do Rio, cidade onde chegou aos 7 anos, junto com a mãe e a avó. A exposição “Manuel Messias — Do tamanho do Brasil”, inaugurada na Danielian Galeria, na Gávea, busca fazer um resgate da importância desse artista que foi tão ativo no circuito de exposições brasileiras e internacionais.

Marcus Lontra e Rafael Peixoto, coordenadores do projeto, conseguiram reunir 50 obras de diversos períodos da trajetória de Messias, incluindo peças do acervo da própria galeria. A exposição será acompanhada de textos dos dois curadores e também do colecionador, curador e médico Ademar de Britto.

A fome e a miséria, que marcaram a sua infância no Nordeste, estão entre os temas de Messias. O encontro dele com a arte se deu a partir do momento em que Leonídio Ribeiro, então diretor do Museu de Arte Moderna, concedeu a ele, que era sobrinho de sua empregada, uma bolsa de estudos. A partir daí, o artista estudou com Ivan Serpa, seu grande mestre e incentivador.

A exposição reúne principalmente xilogravuras, meio de trabalho mais frequente de Manuel Messias, e também pinturas com tinta a óleo e pastel. São destaques as séries “Via Sacra”, “Your life — M’fotogram” e um álbum em que o artista cria obras a partir de um alfabeto próprio.

O projeto prevê, mais adiante, a publicação de um livro que se torne referência nas pesquisas sobre a trajetória de Messias.

— Em função de uma biografia conturbada, marcada pela pobreza, pela situação de rua e por transtornos psiquiátricos, a obra e a vida de Messias sofreram um severo apagamento cultural, eco das desigualdades sociais, do racismo e da total marginalização dos indivíduos — diz Lontra.

A exposição pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 11h às 19h, na Rua Major Rubens Vaz 414. Grátis.

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