Exposição sobre redes de dormir lança novo olhar sobre símbolo de identidade nacional

Gustavo Cunha

“Vaivém” Exposição em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, “Vaivém” desfia os significados de um objeto amarrado em paredes do país para investigar algumas ideias adormecidas sobre as redes de dormir. Exposição em cartaz no CCBB, Sob curadoria de Raphael Fonseca — que desenvolveu uma pesquisa de doutorado, na Uerj, sobre o item de origem ameríndia —, a mostra reúne 350 obras de 141 artistas para propor novos olhares sobre um símbolo da identidade brasileira. E sem se estabelecer no papel do ócio.

— Um dos estereótipos centrais é a associação das redes à noção de preguiça. Parecia óbvio quando comecei a pesquisa, mas foi muito interessante notar como se trata de uma concepção plantada na segunda metade do século XIX, em especial devido ao processo de modernização pelo qual o país passava — ressalta Fonseca, reforçando que a ideia é desfazer clichês.

Além de trazer à tona alguns documentos históricos, a exposição mescla instalações, fotografias, pinturas, vídeos e intervenções com a assinatura de nomes como Arthur Bispo do Rosário, Claudia Andujar, Tarsila do Amaral, Tunga, Jean-Baptiste Debret, Djanira, Ernesto Neto, Hélio Oiticica, Luiz Braga, Mestre Vitalino, Johann Moritz Rugendas e coletivo Opavivará. A esse diverso painel — com produções do século XVI ao XXI —, somam-se trabalhos inéditos, produzidos especialmente para o evento, feitos por 32 artistas indígenas contemporâneos. A obra “Voyeurs”, de Denilson Baniwa, por exemplo, faz uma releitura de “Os Puri na sua cabana”, quadro de Maximilian von Wied-Neuwied datado de 1817 que também faz parte da exposição.

— Parece-me importante não romantizar as figuras dos artistas indígenas, mas trazer ao público suas trajetórias e interesses específicos — diz Fonseca. — Também é importante olhar a rede não apenas pelo seu caráter utilitário. Em certo sentido, toda rede é uma escultura.

Centro Cultural Banco do Brasil: Rua Primeiro de Março 66, Centro — 3808-2020. Qua a seg, das 9h às 21h.