Exposição de troféus de guerra em Kiev provoca reações mistas

Pavlo Netesov, um soldado ucraniano voluntário, mostra sua coleção de armas destruídas ou abandonadas na invasão da Ucrânia pela Rússia (AFP/Sergei SUPINSKY) (Sergei SUPINSKY)

Na capital ucraniana Kiev, uma exposição de troféus de guerra está gerando reações mistas entre a população, dividida entre a alegria, o orgulho, a indiferença e a cautela.

Do lado de fora do Museu Nacional da História da Ucrânia, peças de chapas metálicas russas contrastam com o canto dos pássaros e as árvores floridas de uma avenida tranquila, aninhada no coração do bairro governamental de Kiev.

Para Valeri Stavichenko, veterano do Exército Vermelho de 71 anos, a exibição dos troféus de guerra retirados do exército russo é algo bom.

"Me faz feliz", afirma com um sorriso no rosto, depois de inspecionar a asa de um avião de combate russo derrubado.

"Quanto mais veículos inimigos destruímos, mais perto estamos da vitória", espera.

O projeto é obra de outro veterano ucraniano, Pavlo Netessov, que espera dar visibilidade à guerra em uma área da capital ucraniana que ficou praticamente intacta nos combates de fevereiro e março, quando os russos estavam nos portões da cidade.

"Quero que as pessoas, por meio desses objetos, compreendam esta guerra da forma como está acontecendo", disse à AFP.

Por várias semanas, Netessov testemunhou o conflito em primeira mão como combatente voluntário nos arredores de Kiev, onde ajudou a expulsar o exército russo enquanto acumulava troféus de guerra.

Amante de objetos de coleção, decorou seu escritório por vários anos com objetos de todos os tipos, incluindo lâmpadas feitas de granadas de morteiro.

Para ele, conservar as memórias do custo do conflito será vital para a Ucrânia e seu desenvolvimento como nação.

"É normal exibir troféus de guerra, não se trata de arrogância", diz ele. "O mais importante é mostrar o que realmente aconteceu".

Entre os curiosos que passeiam pelo bairro, as reações variam entre alegria e orgulho, mas também indiferença e cautela. Alguns tiram selfies, outros passam sem prestar atenção.

Para Inna Gopaitsa, uma advogada de 28 anos, "é realmente doloroso e difícil ver todos esses objetos expostos", diz com um nó na garganta, embora admita "a utilidade" desta iniciativa.

Seu marido, por outro lado, acredita que "primeiro temos que ganhar" e derrotar os russos, que ainda estão presentes em grande parte no leste e sul do país. "Somente então poderemos decidir o que fazer com tudo isso", afirma.

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