Cientistas querem DNA de Da Vinci para "reconstruir" características do gênio

Julio César Rivas.

Toronto (Canadá), 5 mai (EFE).- Uma equipe internacional de cientistas do Canadá, Estados Unidos, França, Espanha e Itália anunciou nesta quinta-feira o início do "Projeto Leonardo", que tentará sequenciar o DNA do genial artista do Renascimento e reconstruir suas características físicas, como seu rosto, e inclusive determinar sua capacidade visual.

O projeto conta com a participação do Instituto Craig Venter, da Califórnia, o primeiro a sequenciar o genoma humano, assim como do Laboratório de Identificação Genética da Universidade de Granada, na Espanha, e do Instituto de Paleontologia Humana de Paris, na França, entre outras entidades.

Jesse Ausubel, vice-presidente da Fundação Richard Lounsbery, que está financiando parte da pesquisa, explicou hoje em uma entrevista coletiva que todos os integrantes da rede acreditam que o estudo do DNA de Leonardo da Vinci tem "um grande potencial".

O projeto quer conseguir amostras dos restos mortais de Da Vinci enterrados na cidade de Amboise, na França, assim como de descendentes atuais do artista, para sequenciar seu DNA.

Assim que o DNA de Da Vinci esteja sequenciado, os pesquisadores tentarão obter "materiais biológicos que possam ter ficado em pinturas ou nas páginas dos cadernos do artista".

"Durante os três próximos anos vamos utilizar novas técnicas em biologia molecular e genética. Vamos combiná-las com conhecimentos de antropologia e história para realizar novas descobertas sobre Leonardo da Vinci. Se conseguirmos DNA suficiente, poderíamos, inclusive, aprender sobre a origem de sua incrível acuidade visual", explicou o cientista americano.

A professora Rhonda Roby, do Instituto Craig Venter, explicou que o DNA de Da Vince e a pesquisa da equipe também poderia permitir a reconstrução do rosto do artista, nascido em 1452 e que morreu em 2 de maio de 1519, aos 67 anos, a origem de sua mãe, sua dieta, saúde e hábitos pessoais.

Ausubel, porém, reconheceu que as autoridades francesas se negaram a permitir que os cientistas tenham acesso aos restos mortais de Da Vinci para tentar extrair o DNA. No entanto, ele acredita que agora, por o projeto ser público e envolver instituições de grande reputação, a França mudará de posição.

O pesquisador disse que, apesar de as características genéticas não poderem ser consideradas como as responsáveis pela genialidade de Da Vinci, o artista possuía alguns traços incomuns, como sua acuidade visual, que pode ajudar a explicar detalhes de seu trabalho.

"Há indivíduos com sentidos excepcionais. Alguns com grande capacidade visual, outros grande acuidade auditiva. Essas qualidades são alguns dos atributos genéticos nos quais estamos especialmente interessado. Mas, para ser um gênio, tanto a natureza como a educação são importantes", explicou Ausubel.

"Se você observa os desenhos de Leonardo, é como ver os pássaros voando. A maioria de nós não tem essa capacidade visual e resolução. Claramente ele tinha algo especial que gostaríamos de aprender", completou o pesquisador.

O "Projeto Leonardo", que deve ser concluído em 2019, ano no qual será completado o quinto centenário da morte do gênio italiano, também desenvolverá técnicas que poderiam ajudar a determinar a autenticidade das obras de arte.

Os pesquisadores estão trabalhando para recuperar o DNA de Da Vinci em impressões digitais ou materiais biológicos deixados pelo artista em suas pinturas e em seus famosos cadernos, como pequenas amostras de sangue ou cabelo, que podem ter ficado em suas obras.

Roby explicou que já existem técnicas que permitem extrair o DNA de impressões digitais ou das regiões nas quais uma pessoa esteve em contato com um objeto.

"O desafio é fazer isso com materiais antigos por causa da degradação do DNA. O problema seria tirar um cabelo incrustado, sangue ou outro material genético da pintura sem danificá-la", acrescentou a pesquisadora. EFE