Extrema direita alemã propõe saída da UE como 'último recurso'

O copresidente do partido alemão de extrema direita AfD Alexander Gauland, em 13 de janeiro de 2019, em Riesa, no leste da Alemanha

A extrema direita alemã decidiu neste domingo (13) fazer campanha para a saída do país da União Europeia (UE) como "último recurso", se o bloco não for profundamente reformado, em uma resolução adotada dias antes de uma votação crucial sobre o Brexit.

Reunida em uma conferência em Riesa (Saxônia) para adotar seu programa antes das eleições europeias em maio, a Alternativa para a Alemanha (AfD) rompe, assim, um tabu na Alemanha do Pós-Guerra, um país cuja natureza está intimamente ligada à construção do bloco.

Até agora ninguém havia contemplado, mesmo de forma prudente, a opção de um "Dexit", no jogo de palavras análogo ao britânico "Brexit", envolvendo a Alemanha ("Deutschland").

O texto adotado pela maioria dos delegados da sigla, o principal partido de oposição na Bundestag aos conservadores de Angela Merkel e os socialdemocratas no poder. Nele, a legenda se pronuncia a favor de um "Dexit", se as exigências por parte da AfD de "reformas profundas" da UE não ocorrerem "em um prazo razoável".

Nesse caso, "consideramos necessária, em último recurso, a saída da Alemanha, ou a dissolução da União Europeia", e a criação de uma comunidade econômica simples no lugar, diz o programa.

Entre as demandas de reforma da UE por este partido figuram, entre outros, a abolição do Parlamento Europeu, do euro, ou o fim da "islamização" da Europa.

O congresso da AfD acontece pouco antes da votação dos deputados britânicos, em 15 de janeiro, sobre o acordo do Brexit negociado entre Londres e a UE. Se rejeitado, pode haver uma saída brutal do Reino Unido.