'Extremamente perigosa': China critica visita de Pelosi a Taiwan e fala em violação de soberania

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Minutos depois de a presidente das Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, desembarcar em Taiwan, o governo chinês emitiu um duro comunicado atacando a visita, a primeira de um integrante do alto escalão político americano à ilha em 25 anos, e afirmando que ela terá um impacto profundo nas as relações entre os dois países.

"Ela infringe seriamente a soberania da China e sua integridade territorial. Ela mina, de forma grave, a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan e manda um sinal errado para as forças separatistas da [favoráveis à] 'independência de Taiwan'", diz o comunicado do Ministério das Relações Exteriores, reproduzido pela agência Xinhua.

A China considera Taiwan como parte de seu território, apesar de a ilha ter sistemas político, econômico e jurídico próprios e operar como se fosse de fato um país. Os EUA, por sua vez, embora não reconheçam diplomaticamente Taiwan como um governo independente, seguindo a política de "uma só China" desde que reataram relações com Pequim, nos anos 1970, fornecem apoio militar aos taiwaneses.

No cenário de agravamento das tensões entre Pequim e Washington, e que têm em Taiwan um ponto central, como aponta o comunicado da Chancelaria, a visita de Pelosi vem sendo alvo de críticas dos chineses mesmo antes de ter sido confirmada. Em conversa telefônica na semana passada com o presidente americano, Joe Biden, o líder chinês, Xi Jinping, fez um alerta para que os americanos "não brincassem com fogo".

No texto, Pequim considera que a visita de Pelosi é uma "provocação" e que a Casa Branca usa Taiwan como pretexto para "conter a China". Em seus movimentos para ampliar a presença dos EUA na Ásia e no Pacífico, Biden se refere com frequência a Taiwan e tenta arrancar dos aliados compromissos com a defesa da ilha contra uma eventual agressão chinesa. Para a China, essas ações também servem para impulsionar o discurso nacionalista entre os taiwaneses, chamado de "movimento de independência" no comunicado.

"Esses movimentos, que são similares a brincar com fogo, são extremamente perigosos. Aqueles que brincam com fogo serão feridos por ele", diz o comunicado. "A China vai, de forma resoluta, tomar todas as medidas necessárias para defender sua soberania e integridade territorial em resposta à visita da presidente da Câmara. Todas as consequências disso devem ser atribuídas aos EUA e às forças separatistas 'da independência de Taiwan."

Apesar do tom agressivo, o texto termina com um chamado à diplomacia entre China e EUA, ao mesmo tempo em que aponta que Taiwan, na visão de Pequim, é um assunto interno. "A China e os EUA são dois grandes países. A maneira certa para que lidem um com o outro é por meio do respeito mútuo, da coexistência pacífica, do não confronto e de cooperações mutuamente benéficas", conclui a mensagem.

Em resposta, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, voltou a defender a viagem, declarando que os EUA "não apoiam a independência de Taiwan e continuam a apoiar a política de "Uma só China"'. Para Kirby, "é um direito dela [Pelosi] fazer a visita", reforçando que "não há violações da soberania" da China.

Já o Ministério das Relações Exteriores taiwanês declarou que a visita "demonstra plenamente a importância que o Congresso dos EUA atribui a Taiwan e, mais uma vez, confirma o apoio 'sólido como uma rocha' a Taiwan".

"Acredita-se que a visita da presidente Pelosi e de outros membros de peso do Congresso fortalecerá o relacionamento próximo e amigável entre Taiwan e os Estados Unidos e aprofundará ainda mais a cooperação global entre os dois lados em vários campos", conclui o texto.

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