Exu é tema de espetáculo de dança

Se Iemanjá foi a musa inspiradora do espetáculo de estreia da Cia Líquida, fundada este ano, Exu é o orixá escolhido para a volta aos palcos dos cinco artistas de dança que criaram este coletivo, que, através da linguagem corporal, entrega ao público o resultado de suas pesquisas sobre as entidades cultuadas pelas religiões de matriz africana. A próxima apresentação de “Boca do mundo” acontece nesta quinta-feira (29), às 20h, no Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes. A entrada custa R$ 10 (inteira).

Literatura: Contos de autor do Méier retratam dramas vividos na pandemia

Gastronomia: Combinado Carioca serve comida caseira e petiscos

Coreógrafa, bailarina e diretora do espetáculo, Mery Horta buscou no livro “Pedagogia da encruzilhada”, de Luiz Rufino, referências para levar para o palco toda a magia daquele que é conhecido por ser o senhor do corpo, da comunicação, do fogo da vida e do movimento. Mas o seu trabalho de pesquisa não se limitou à literatura.

— Foram inúmeras referências dentro do tema, como filmes, livros, músicas, desfiles de escola de samba e muitas conversas com a equipe criativa, até chegar ao resultado final. Tudo isso para traduzir a perspectiva sobre Exu de cada pessoa, criando uma grande encruzilhada. A nossa proposta é oferecer ao público acesso à figura de Exu através do movimento da dança – diz.

Quem estiver na plateia do Teatro Armando Gonzaga assistirá um espetáculo que, entre outras coisas, revela as características da entidade.

— Exu é potência de encruzilhada e de encontros, é vida. Ele/ela mora na gargalhada, na dança, é movimento e possibilidade de mudança. Falar sobre Exu, atualmente, é falar sobre as transformações que a sociedade brasileira precisa passar, é jogar luz sobre o chacoalhar das suas estruturas racistas e patriarcais, é pensar outros modos de viver e existir coletivamente. Exu representa o diálogo entre os diferentes — conclui a coreógrafa.