Fábrica de aromas naturais vira multinacional com maior interesse por produtos saudáveis

A pandemia causou a ruína e o fechamento de muitas empresas pelo país, mas a busca por produtos mais saudáveis nesse período fez a multinacional brasileira Duas Rodas ir no sentido contrário. Líder na fabricação de aromas e ingredientes para alimentos no Brasil, a companhia é pouco conhecida porque tem como clientes outras empresas e não consumidores finais, mas faturou seu primeiro bilhão em 2020 e superou a cifra, no ano passado, com receita de R$ 1,2 bilhão.

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A empresa de Santa Catarina tem três fábricas no Brasil e unidades no Chile, Colômbia e México. Abriu este ano um escritório no Texas, nos Estados Unidos, e já tem outro em Xangai, na China. Está anunciando investimentos de R$ 200 milhões para ampliar a produção de extratos de açaí, guaraná e acerola, entre outros produtos. O objetivo é elevar em até 40% a capacidade produtiva no Brasil.

— Também tivemos um crescimento vigoroso no mercado internacional, com a busca de ingredientes naturais para alimentos mais saudáveis. As exportações cresceram 48% no ano passado — conta o presidente da empresa, Leonardo Zipf, que tem a previsão de elevar de 25% para 50% o faturamento com as vendas ao exterior até 2024.

Comprar e expandir

A companhia tem planos de comprar empresas tanto nos EUA quanto na Europa, especificamente na Alemanha, para expandir suas operações. Os recursos para aquisições não estão incluídos nos R$ 200 milhões de investimentos previstos.

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A diversidade de frutas, plantas e sementes regionais brasileiras sempre atraiu mercados como o europeu e o americano, afirma Zipf, que veem muito valor nesses produtos. E a pandemia potencializou o interesse por itens saudáveis.

Mas, em vez de exportar e vender no mercado nacional os produtos in natura, a Duas Rodas agrega algum tipo de tecnologia aos itens agrícolas. Zipf observa que é preciso ter cuidado para “não sermos só exportadores de pau-brasil.”

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A empresa não vende diretamente ao consumidor, somente para a indústria. Por exemplo, no caso da acerola, que tem concentração de vitamina C, a Duas Rodas processa a fruta e vende o extrato ou o pó desidratado para empresas que produzem sucos ou cremes e sorvetes da fruta.

São mais de três mil produtos no portfólio da companhia, que está presente em 30 países através de distribuidores locais. A empresa também está investindo no segmento de plant based, produtos à base de proteínas vegetais que substituem a proteína animal.

A companhia criou a plataforma tecnológica Plant Based Solutions. O objetivo é desenvolver sabor, suculência e textura para proteínas vegetais, de modo que fiquem semelhantes à proteína animal.

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Já lançou opções de ovos, queijos, cream cheese e embutidos à base de plantas. O cream cheese, por exemplo, não contém glúten nem lactose e pode ser aquecido ou resfriado na preparação de pratos. Também há queijo vegetal, e o egg free, preparado alimentício em pó que, misturado à água, fica parecido com ovos mexidos e omelete.

Para captar os produtos, a empresa tem foco em sustentabilidade: criou uma plataforma na qual pequenos agricultores, que produzem esses produtos mais específicos, podem se cadastrar para abastecer a empresa.

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No Nordeste, onde se produzem acerola e guaraná, por exemplo, a empresa tem uma fábrica na cidade de Estância, em Sergipe. Pelo plano de investimentos, essa unidade vai ganhar uma nova usina de extratos de guaraná.

— Não queremos que o extrativismo seja o método de busca dessas frutas, sementes e plantas. Formamos uma cadeia de fornecedores para que a gente não tenha que entrar na floresta para retirar esses produtos. Preservar o meio ambiente faz parte dos nossos valores — afirma Zipf.

Um time de engenheiros agrônomos atende esses agricultores, e a empresa compra praticamente toda a safra. Além disso, oferece assessoria para acesso a linhas de crédito.

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A Duas Rodas faz controle de áreas onde os produtos são plantados, inclusive de regularização de mão de obra, para que esses pequenos produtores possam ser credenciados como fornecedores.

Há também fornecedores de produtos orgânicos, que precisam ser certificados, inclusive internacionalmente. São mais de três mil fornecedores, sendo mil somente de acerola, incluindo cooperativas.

De olho no meio ambiente

A preservação do meio ambiente é cada vez mais cobrada pelos estrangeiros, e produtos agrícolas que vêm de áreas desmatadas estão sendo boicotados.

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Para Zipf, o foco das empresas na agenda ESG (que prevê boas práticas de produção nos quesitos ambiental, social e de governança) não pode ser apenas institucional. Isso precisa estar inserido na cultura da empresa, com a prática diária desses valores.

— Essa mentalidade está presente ao longo dos 97 anos da história da empresa. Sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental são pontos fundamentais. Para sobreviver a um ciclo tão longo, é preciso ter isso muito forte na sua cultura. Só o discurso não funciona — resume o presidente da Duas Rodas.

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