Fábrica clandestina de cosmético, explorada por milícia, fornecia produtos para salões de beleza

Marcos Nunes
·2 minuto de leitura

Além de explorar a venda de botijões de gás, centrais clandestinas de TV a cabo, transporte alternativo e venda ilegal de imóveis, grupos paramilitares também investem no mercado da beleza. Uma fábrica clandestina de produtos cosméticos, explorada pela milícia comandada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, um dos bandidos mais procurados do estado, foi fechada ontem durante uma operação da Força-Tarefa da Polícia Civil, em Guaratiba, na Zona Oeste. De acordo com a polícia, o faturamento mensal da empresa chegava a cerca de R$ 1,2 milhão.

Segundo a Delegacia do Consumidor (Decon), os produtos fabricados ou envazados no local, como álcool em gel, xampus e cremes para cabelos, eram vendidos para salões de beleza do Rio, da Baixada Fluminense, de Niterói e de São Gonçalo. De acordo com o delegado André Neves, não foram encontrados no local documentos como alvará, autorização de funcionamento dos bombeiros ou qualquer licença da Anvisa liberando a manipulação de produtos químicos na empresa. Os produtos não continham sequer a especificação de ingredientes na embalagem.

— Tivemos que apreender e mandar para a perícia para saber quais os componentes dos produtos — disse o delegado.

De acordo com o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, Felipe Cury, não há dúvidas sobre a participação de milicianos no negócio.

— É explorado diretamente por pessoas ligadas à milícia, é mais uma fonte de renda, com produtos totalmente clandestinos, impróprios para consumo —afirmou em entrevista ao RJ-TV da Rede Globo.

Segundo a polícia, milhares de produtos foram apreendidos na fábrica. Uma pequena parte foi levada para a Decon para ser periciada. O restante ficou guardado no próprio galpão. Três pessoas que trabalhavam no local foram levadas para a Cidade da Polícia, onde foram ouvidas. Elas alegaram que parte do material encontrado veio de outros estados e era apenas envazado ali. Já alguns outros passariam por uma espécie de mistura, antes de serem comercializados.

Na mesma ação, a polícia estourou ainda uma central pirata de TV a cabo e um depósito que fabricava gelo. Ao todo, 15 pessoas foram presas. Na terça-feira, foi fechada uma fábrica clandestina de cerveja dos paramilitares.