Fábrica de Startups Brasil alavanca mercado empreendedor no Rio

Fábrica de Startups ocupa 3º andar de prédio na Zona Portuária

Sempre que recebe visitantes na sede da Fábrica de Startups Brasil, na Zona Portuária, o empresário carioca Hector Gusmão, 31 anos, já se prepara para os olhares de espanto. E para responder à mesma pergunta, logo na entrada: “Como vocês tiveram coragem de abrir um negócio destes aqui no Rio de Janeiro?”.

Instalada no terceiro andar de um empreendimento voltado para escritórios de luxo, o edifício Aqwa Corporate, a empresa ocupa uma área de 3.700 metros quadrados, com decoração industrial, móveis em estilo urbano (tem uma cadeira que foi fusca!), um bar no meio do espaço de convivência e uma vista magnífica da Baía de Guanabara. A aceleradora, braço brasileiro de uma empresa portuguesa, abriu as portas na área do Porto Maravilha em novembro de 2018, com investimento de R$ 5 milhões, numa época de crise, em que a região já não vivia seus tempos de glória.

O CEO da empresa garante que não se arrepende da aposta:

— Temos que recuperar a capacidade de acreditar no potencial que o Rio tem — diz Gusmão.

Os números da aceleradora mostram que a confiança de Hector e seus três sócios tem dado resultados. Em apenas um ano no Brasil, eles já inovaram ao lado de 28 grandes empresas, entre elas Ambev, Cielo, Aliansce Sonae, Sistac, Embratel e Stone. A expectativa é que 130 startups sejam aceleradas por ano, em média, com um faturamento conjunto de R$ 50 milhões.

— Já passaram pela Fábrica 190 startups, sendo que 57 delas estão fazendo ou fizeram negócios com grandes empresas. Tivemos 85 startups criadas, num universo de 486 startups inscritas. Até agora, nossas expectativas foram atendidas e até superadas — diz Hector.

A escolha do Rio como sede, explica Hector, foi motivada principalmente pelas perspectivas de crescimento que a cidade tem para o setor de inovação. Isso inclui, naturalmente, preparar profissionais para o mercado, o que será feito em parceria com a 42, uma instituição francesa que oferece cursos gratuitos de programação. A ideia é atrair os jovens moradores das comunidades carentes da região.

Foi na Fãbrica de Startups que a advogada Simone Hipólito, de 50 anos, e o publicitário Daniel Leal, de 28, descobriram ter vocação para empreendedores e, o que é melhor, que podiam unir tecnologia, ação social e diversidade.

Ela está à frente um aplicativo para conectar jovens em situação de vulnerabilidade social e empresas, facilitando a busca por vagas de emprego para menor aprendiz, por meio da startup Se Oriente. Já Daniel faz parte da Carbon, que produz e fornece vídeos para RHs de empresas com histórias que levem à reflexão sobre o preconceito e diversidade.

— Fazemos inovação com viés tecnológico e impacto social — afirma Simone.