The Killers agita público e fecha última noite do Lollapalooza

Carlos Meneses Sánchez.

São Paulo, 25 mar (EFE).- A banda The Killers fechou neste domingo o último dia da sétima edição do festival Lollapalooza no Brasil, que neste ano foi marcado por protestos políticos a favor do desarmamento nos Estados Unidos e contra a violência e o racismo após o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco.

O grupo liderado por Brandon Flowers colocou a cereja do bolo com uma mistura de sucessos do início da carreira como "Somebody Told Me" e "Spaceman" com outros mais recentes como "The Man", do último disco do grupo, "Wonderful Wonderful" (2017), que abriu a apresentação.

O repertório, de fato, foi praticamente o mesmo do Festival Estéreo Picnic de Bogotá e da edição chilena do Lollapalooza, mas não decepcionou em absoluto.

Se na capital colombiana Flowers se arriscou no espanhol e convidou um espectador para tocar bateria, em São Paulo falou em português e convidou uma jovem para assumir as baquetas e acompanhar, com bastante destreza, "For Reasons Unknown".

O ápice veio com o bis, momento para o qual o grupo reservou "When You Were Young" e "Mr. Brightside", cujos acordes levantaram o público, que cantou em uníssono com o carismático vocalista.

Antes do The Killers, Lana del Rey também emocionou a plateia com canções como "Serial Killer" e dois dos seus clássicos: "Video Games" e "Summertime Sadness".

Com seu estilo melódico retrô, seu olhar ao infinito e essa aparente inapetência com a qual se move sobre o palco, a cantora nova-iorquina interpretou, entre outras, "Get Free", "Change" e "Lust for Life", todas de seu último disco, lançado no ano passado.

Outras atrações deste domingo foram o rapper Wiz Khalifa e o ex-vocalista do Oasis Liam Gallagher, que fez seu show sem incidentes, após abandonar o palco repentinamente na edição chilena do festival após uma crise de sinusite.

O mais novo dos irmãos Gallagher se apresentou durante cerca de uma hora e trouxe o melhor do Oasis com "Rock 'n' Roll Star", "Morning Glory", "Some Might Say", "Live Forever" e a mais esperada de todas, "Wonderwall".

Nos três dias de shows, o popular festival não escapou dos protestos, que já haviam marcado totalmente os desfiles de carnaval neste ano.

Alguns grupos nacionais se somaram neste domingo às homenagens que aconteceram durante os últimos dias à vereadora Marielle Franco, cujo assassinato, ocorrido no último dia 14 no Rio de Janeiro, comoveu o país e foi condenado por diversos organismos internacionais.

O grupo "Francisco, el Hombre", formado pelos irmãos mexicanos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte e pelos brasileiros Juliana Strassacapa, Andrei Kozyreff e Rafael Gomes, ofereceu hoje um impactante recital com composições de grande envergadura social ("Tá com dólar, tá com Deus") e homenageou Marielle.

"Todos os dias perdemos mulheres de todas as idades, cores e etnias. Hoje canto por Marielle Franco. Sua voz nunca será silenciada", clamou Juliana.

Mas vereadora não foi recordada somente por artistas brasileiros. A cantora sueca Zara Larsson, que se apresentou na sexta-feira, também dedicou uma música e destacou a luta de Marielle contra "a violência policial e pela justiça social", assim como a britânica Jesuton, no sábado.

Por sua vez, o Imagine Dragons e o Pearl Jam lançaram ontem mensagens contra a política armamentista nos Estados Unidos, no dia em que milhares de pessoas tomaram as ruas de várias cidades americanas para pedir um maior controle do porte de armas.

"Estou cansado de perder nossos filhos com armas", disse o vocalista Dan Reynolds durante a apresentação da banda de Las Vegas.

O Lollapalooza encerrou sua sétima edição no Brasil depois de três dias nos quais teve uma média de público de 100 mil pessoas, que aproveitaram mais de 70 atrações das mais diversas correntes, desde rock ao rap, passando pela música eletrônica. EFE