Fórmula 1 avança na agenda ESG, mas ainda faz pouco

O campeonato mundial de Fórmula 1 terá sua última corrida neste domingo, em Abu Dhabi, consagrando o belga Max Verstappen como o grande campeão da temporada 2022. Com 22 etapas, a organização reforçou seu compromisso de avançar na agenda de sustentabilidade, que visa a eliminação do plástico nos autódromos e compensação da emissão de carbono até 2030.

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- No Brasil, essa agenda foi antecipada para 2025 - afirma Francisco Mattos, diretor executivo do Grande Prêmio São Paulo. - Estamos muito avançados nas duas frentes, atingindo 100% de compensação da pegada de carbono nas corridas de 2021 e 2022.

O inventário do último GP, realizado de 11 a 13 de novembro na capital paulista, ainda não foi finalizado. A estimativa, segundo Mattos, é repetir a mesma performance do ano passado, com 4.260 toneladas compensadas, mesmo com 30% a mais de público. Cerca de 236 mil pessoas estiveram no autódromo de Interlagos, em São Paulo, nos três dias.

Ao todo, o evento, que marcou os 50 anos de Grandes Prêmios de Fórmula 1 no Brasil, gerou um impacto econômico de R$ 1,3 bilhão para a cidade.

A boa performance na compensação da pegada de carbono, segundo Mattos, deve-se, principalmente, à redução de 25% do volume de combustível usado, substituição da matriz de combustível (4.700 litros de gasolina por 3.600 litros de etanol) e aumento da frota de veículos elétricos.

- Também fizemos duas parcerias importantes, uma com a Solví Essencis para obtenção de créditos de carbono originados em várias partes do país, inclusive São Paulo, e outra com a Greener, para aquisição de unidades de estocagem de carbono através da preservação da Floresta Amazônica -reforça.

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O executivo observa que pela primeira vez o óleo lubrificante usado nos carros de Fórmula 1 durante os treinos e a prova foram coletados para um segundo refino. Ao todo, foram 500 litros que a Lwart Soluções Ambientais processou e devolveu ao mercado como novo produto de alta performance.

Ainda dentro do conceito de circularidade, o GP ampliou a distribuição de água em embalagem cartonada, incluindo o fornecimento para as equipes que trabalharam na montagem.

- Desde 2021, não temos mais garrafas pet no autódromo. Todas as caixas recolhidas serão transformadas em telhas, as quais serão destinadas a comunidades de Interlagos - diz Mattos.

Para completar, o Grande Prêmio São Paulo, em parceria com a Ekowelt Sustentabilidade, instalou no autódromo uma máquina de compostagem para transformar lixo orgânico em adubo.

- Foram produzidos cerca de 500 quilos que serão doados para a formação de hortas comunitárias na região - diz o executivo.

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Logística responsável

Líder global na área de logística, A DHL vem promovendo uma série de iniciativas para ajudar a Fórmula 1 a atingir uma pegada de carbono líquida zero até 2030. Para transportar cerca de 1400 toneladas de cargas – carros de corrida, pneus, peças de reposição, combustível, equipamentos de transmissão, marketing e hospitalidade –, usou no Brasil soluções de transporte multimodal, incluindo frete terrestre e marítimo.

- Equipamos toda a frota de caminhões dedicada à Fórmula 1 com GPS para monitorar o consumo de combustível e selecionar as rotas mais eficientes para reduzir a emissão de CO2 - diz Claudio Ramos, diretor de Projetos Industriais do Brasil e do Setor de Renováveis regional-América Latina, que completa:

- Também usamos aeronaves Boeing 777 de baixo consumo de combustível, que reduzem as emissões de carbono em 18% em comparação às aeronaves tradicionais.

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Segundo o executivo, entregar corridas com compromisso sustentável faz parte das estratégias do Deutsche Post DHL Group’s Sustainability Roadmap para acelerar negócios de baixo impacto ambiental nos próximos 10 anos. Até 2030, a companhia investirá 7 bilhões de euros em operações de logística limpa, a fim de reduzir as emissões de 39 milhões de toneladas de carbono em 2021 para 29 milhões de toneladas nos próximos sete anos.

Com esse objetivo, o grupo ampliará a participação de combustíveis sustentáveis na linha de transporte para 30% e aumentará a mistura de combustível de aviação também em 30%. Somente em 2022, o Grupo comprou mais de 830 milhões de litros de combustível de aviação e 60 milhões de litros de combustível marítimo sustentáveis.

Na semana que antecedeu o Grande Prêmio São Paulo, a DHL colaborou com a EcoFaxina, organização de meio ambiente e conservação, e com a Sociedade Brasileira de Salvamento de Vidas (Sebrasa) para remover da Praia de Itaquitanduva, em São Vicente (SP), e do estuário de Santos e São Vicente o maior volume de lixo possível.

- Em quatro horas, nossos voluntários recolheram quase meia tonelada de resíduos, que foram reciclados e parcialmente usados na instalação de arte Mangue Car - diz Ramos.

A instalação, de autoria de Eduardo Srur, é, segundo o artista plástico, uma provocação para o público presente, uma forma de chamar a atenção para os altos índices de descartes de rejeitos no oceano.

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- A instalação tem o valor simbólico da união dos brasileiros em prol de uma ação para melhorar o ambiente e a qualidade de vida da comunidade do mangue - afirma Srur.