Fórmula 1: Verstappen cotado como único capaz de parar Hamilton e Mercedes

Tatiana Furtado
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Nas últimas sete temporadas da Fórmula 1, a mesma pergunta esteve no ar: quem poderá parar a Mercedes e Lewis Hamilton? A escuderia alemã até agora não teve adversários à altura, e o britânico só perdeu o título para o companheiro de equipe Nico Rosberg, em 2016, num ano em que foi irregular. Em 2021, o posto de potencial algoz será ocupado novamente pela RBR e Max Verstappen, terceiro colocado em 2020. Neste domingo, no GP do Bahrein, ele larga na pole, com Hamilton logo atrás. A Band transmite a partir das 12h (de Brasília).

O companheiro de Hamilton, Valtteri Bottas, também é uma das apostas. Afinal, é coadjuvante da melhor equipe dos últimos anos. Porém, o mundo da F1 é unânime em afirmar que o grande favorito continua sendo o heptacampeão, que pode se tornar o maior campeão da categoria, passando Michael Schumacher.

Não apenas pelo talento inegável de Hamilton, que ainda pode detonar outros recordes, como o de maior número de vitórias numa única temporada — Schumacher e Sebastian Vettel têm a marca com 13 vitórias cada. Mas, sobretudo, pela superioridade dos carros da Mercedes. Verstappen já mostrou que tem braço para brigar com Hamilton na pista. Mas depende da RBR conseguir fazer frente ao monoposto alemão.

— Há um piloto capaz de bater o Hamilton, que é o Max Verstappen. Talvez seja o primeiro ano que podemos dizer isso. Sempre foi visto como garoto prodígio, mas veio amadurecendo. Acho que está no ponto certo da maturidade e está com um carro que parece ser melhor do que o dos últimos anos. Não dá pra dizer se a Red Bull vai enfrentar a Mercedes em todas as corridas, mas vai incomodar — diz Fábio Seixas, comentarista da TV Cultura.

O nome de Verstappen ganha força principalmente pelos testes de pré-temporada e pelo desempenho até aqui no Bahrein. Os especialistas apontam a progressão da RBR em relação ao carro do ano passado.

As mudanças de regulamento e nos carros, propostas pela FIA, ficaram para 2022 por causa da pandemia. Mas as escuderias fizeram algumas modificações dentro das novas normas. Neste quesito, as alterações têm sido promissoras para a RBR. Porém, a temporada é longa, com 23 GPs, tempo suficiente para as equipes acertarem os monopostos.

— Acredito no Verstappen como o piloto capaz de bater o Hamilton. A questão é saber se ele tem carro para isso. A Red Bull progrediu muito, isso ficou bem claro. Houve evolução da RBR e da unidade de potência da Honda, que apresentou um motor inteiramente novo e, surpreendentemente, não teve o menor problema — afirma o colunista do UOL, Lito Cavalcanti.

A ascensão da RBR, porém, não significa automaticamente a queda da Mercedes. Não se pode fazer uma análise profunda apenas com poucos dias de testes e treinos livres. O ex-piloto Luciano Burti argumenta que há anos análises são um tanto superficiais no início da temporada.

— A pré-temporada nunca mostra a realidade, fico surpreso que mesmo a imprensa especializada lá de fora começa a falar do tempo de Ferrari, Renault, McLaren, RBR, e a história é sempre a mesma. Não sei como todo mundo cai ainda nisso. A Mercedes nunca usa o potencial que tem. Ano passado liderou os testes da pré-temporada porque o carro era tão melhor, mas tão melhor, que mesmo não colocando tudo, conseguia andar na frente. Eles não colocam as cartas na mesa até a primeira corrida.

Nesta temporada, a organizadora da F1 espera dar uma mexida no campeonato com a introdução, de forma experimental, das corridas sprint no sábado — um GP de meia hora que valeria pontos aos vencedores e a classificação do grid de domingo. A ideia já foi aprovada numa primeira reunião com as equipes, mas o martelo não foi batido. Neste fim de semana, haverá mais reuniões para definir o modelo, que, em princípio, acontecerá na Inglaterra, na Itália e no Brasil.

— Acho difícil que uma minicorrida no sábado aumente tanto o interesse do público. A distribuição de pontos nesta bateria também não me parece uma boa ideia. Imagine que um título pode acabar sendo decidido no sábado e o evento principal do final de semana, no domingo, fica esvaziado. Porém, é sempre interessante ver a F1 experimentar novos formatos — argumenta Lucas Santochi, do site Projeto Motor.