Reunião sobre Venezuela em Paris termina sem data para retomar negociações no México

Enviados do governo e da oposição da Venezuela se reuniram nesta sexta-feira (11) no Fórum da Paz de Paris, mas sem definir uma data para a retomada das negociações no México, apesar da pressão internacional.

"Estamos avançando, indo bem. Pensamos que este evento (...) permitiu ajudar e acompanhar este esforço de reativação do diálogo", assegurou à AFP Jorge Rodríguez, enviado do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Espero que possamos lhes dar boas notícias em breve" sobre a retomada das negociações, afirmou à imprensa o representante da oposição venezuelana, Gerardo Blyde, garantindo que existe "vontade de ambas as partes".

Antes de se reunirem, os enviados de Maduro e da oposição encontraram os presidentes francês, Emmanuel Macron, colombiano, Gustavo Petro, e argentino, Alberto Fernández.

Os líderes pediram que ambos os lados retomem as negociações, "como única forma" de resolver a crise na Venezuela, e prometeram apoiar o processo, segundo um comunicado conjunto.

O chavismo e a oposição empreenderam negociações no México em agosto de 2021, após iniciativas fracassadas em 2018, na República Dominicana, e 2019, em Barbados.

Nicolás Maduro congelou as conversas em outubro de 2021 após a extradição para os Estados Unidos de Alex Saab, um empresário próximo ao governo de Caracas acusado de lavagem de dinheiro.

Mas nos últimos dias houve especulações sobre uma retomada das negociações. As discussões no Fórum da Paz de Paris buscaram criar uma dinâmica para que o processo seja retomado no México.

- Prevenção de conflitos -

Embora Macron tenha promovido o evento em 2018 para pensar a governança mundial e o multilateralismo, também busca "oferecer um espaço de diálogo para prevenir conflitos", como é o caso da crise na Venezuela.

A situação internacional mudou desde 2018, após a pandemia global e a ofensiva russa na Ucrânia, que provocou um aumento nos preços do petróleo e dos alimentos, bem como problemas de fornecimento de fertilizantes.

Na América Latina, vários governos se voltaram recentemente para a esquerda, como Chile, Colômbia e Brasil. O apoio à oposição de Juan Guaidó na Venezuela, que se autoproclamou presidente interino em 2019, parece perder força no mundo.

Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, retomou as relações com o país vizinho, com o qual reabriu as fronteiras, e também se reuniu com Maduro em Caracas, em um giro de 180º em relação à política de seu antecessor, Iván Duque.

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