Fóssil de inseto raro é encontrado na Bacia do Araripe, no Ceará

Natalie Rosa
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No estado do Ceará, mais precisamente na Bacia do Araripe, pesquisadores encontraram o fóssil de um raro inseto voador, que estava na Formação do Crato. A criatura em questão pertence à ordem Ephemeroptera, conhecida ainda como efêmeras, e o fóssil foi datado como do Cretáceo Inferior, há cerca de 113 a 125 milhões de anos.

Esta é a segunda vez que um fóssil de um inseto adulto da família Oligoneuriidae é catalogado no mundo. Na fase de larva, o inseto vive nas águas e, quando adultos, vivem por poucos dias, muitas vezes resistindo apenas por poucos minutos. A descoberta foi feita por paleontólogos da Universidade Regional do Cariri (URCA), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Universidade Federal de Viçosa.

<em>Imagem: Divulgação/URCA</em>
Imagem: Divulgação/URCA

De acordo com os pesquisadores, o inseto representa não só uma nova espécie, como também um novo gênero e uma nova subfamília, e foi batizado de Incogemina nubila, que em latim significa "geminação incompleta" e "nublado", devido à coloração acinzentada que estava o calcário em que foi encontrado.

Frederico Salles, um dos autores do estudo e entomólogo, diz ainda que a distribuição das veias das asas faz a combinação de um padrão no qual algumas das veias longitudinais tentem a se encontrar. "Como na maioria dos representantes da família Oligoneuriidae, com um padrão ancestral, típico das demais efêmeras. Essa é principal característica que faz essa nova espécie ser única", conta.

<em>Imagem: Divulgação/URCA</em>
Imagem: Divulgação/URCA

A principal autora do estudo, Arianny Storari, diz que esta ordem de insetos aquáticos é encontrada com frequência na Formação Crato, mas os que pertencem à família Oligoneuriidae são raros. Isso acontece devido ao hábito de vida dos insetos. "Durante a fase jovem, a maioria das larvas da família Oligoneuriidae vivem em ambientes com fluxo de água corrente. Esse tipo de ambiente não é propício para a preservação de um inseto tão delicado, dado que a correnteza destruiria suas partes mais sensíveis, dificultando a fossilização", explica.

Agora, com a análise desses insetos, os pesquisadores pretendem entender melhor o ambiente em que essa espécie viveu, incluindo os estresses climáticos enfrentados por ela. Essa larvas podem, inclusive, serem indicadores importantes da qualidade da água pela sensibilidade à variação do clima.

Fonte: Canaltech

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