Fóssil que homenageia Pabllo Vittar pode ter sido traficado para os EUA; MPF investiga

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RIO — O Ministério Público Federal (MPF) no Ceará investiga se o fóssil de aranha Cretapalpus vittari, cujo nome científico homenageia Pabllo Vittar, foi traficado para os Estados Unidos. O procedimento está em sua fase inicial e, para verificar a hipótese de tráfico, a procuradoria aguarda resposta da Agência Nacional de Mineração (ANM) sobre as razões que levaram o material paleontológico para o exterior.

O procurador da República Celso Leal explicou que as suspeitas surgiram a partir de um recente estudo científico publicado nos EUA, em que os autores afirmam que o espécime lhes foi doado para o propósito de pesquisa e ensino. Leal destacou que a legislação brasileira não permite doações deste tipo e, portanto, foi levantada a hipótese do envio do fóssil ao exterior de maneira ilegal.

O MPF iniciou a investigação após receber um pedido da Universidade Regional do Cariri (Urca), por ter estranhado o termo "doado" usado no artigo norte-americano, publicado pelo "The Journal of Arachnology". Este é o fóssil mais antigo das aranhas Palpimanidae descoberto até agora, estendendo a idade da família de 10 a 13 milhões de anos no período Cretáceo.

— O máximo que é possível é empréstimo para fim científico, mas não a doação. Daí a gente levanta a hipótese de tráfico. Para confirmar isso, já oficiei a Agência Nacional de Mineração para que ela confirme se a saída foi regular ou não — disse Leal.

A pesquisa, realizada pela Universidade do Kansas, afirma que a "doação" do fóssil teria sido feita pelo Centro de Pesquisas Paleontológicas da Chapada do Araripe (CPCA) e pela Agência Nacional de Mineração (ANM), cuja versão sobre o caso já foi solicitada.

— A gente não tem uma confirmação, porque ainda falta a posição da agência nacional, mas a hipótese bem provável é que tenha saído irregularmente. Quando e como saiu a gente vai ter que apurar no decorrer da instrução, a gente não tem esses elementos — acrescentou o procurador.

O fóssil Cretapalpus Vittari, obtido na formação Crato, em Nova Olinda (CE), foi assim nomeado pelos autores do referido estudo, Matthew Dowmen e Paul Selden.

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