Fúria russa cresce com ataque que matou dezenas de soldados no leste da Ucrânia

Trabalhadores recolhem destroços de edifício após ataque ucraniano a acomodação russa, em Makiivka, Ucrânia

MOSCOU (Reuters) - Nacionalistas e alguns parlamentares russos exigiram punição para comandantes a quem acusaram de ignorar os perigos, conforme aumenta a raiva pela morte de dezenas de soldados russos em um dos ataques mais mortais do conflito na Ucrânia.

Em uma rara revelação, o Ministério da Defesa da Rússia disse que 63 soldados foram mortos na véspera de Ano Novo em uma explosão que destruiu um quartel temporário em uma escola vocacional em Makiivka, cidade gêmea da capital regional ocupada pela Rússia de Donetsk, no leste da Ucrânia.

Críticos russos disseram que os soldados estavam sendo alojados ao lado de um depósito de munição no local, que o Ministério da Defesa russo disse ter sido atingido por quatro foguetes disparados de lançadores Himars fabricados nos Estados Unidos.

A Ucrânia e alguns blogueiros nacionalistas russos estimaram o número de mortes em centenas, embora autoridades pró-Rússia digam que essas estimativas são exageradas.

Atos para homenagear os mortos foram realizados em várias cidades russas, incluindo Samara, de onde alguns vieram, informou a agência de notícias RIA Novosti. Pessoas depositaram flores no centro de Samara.

"Não durmo há três dias, Samara não dorme. Estamos constantemente em contato com as esposas de nossos rapazes. É muito difícil e assustador. Mas não podemos ser abalados. A dor une ... Não perdoaremos e, definitivamente, a vitória será nossa", disse à RIA Yekaterina Kolotovkina, representante de um conselho de mulheres em uma unidade do Exército, em um dos atos.

O ataque a Makiivka ocorreu no momento em que a Rússia lançava o que se tornou uma onda noturna de ataques de drones contra Kiev e outras cidades ucranianas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse em seu discurso noturno em vídeo que os ataques visam "esgotar nosso povo, nossas defesas antiaéreas, nossa energia".

Autoridades ucranianas disseram que a Rússia atacou na segunda-feira partes da região de Donetsk controladas pela Ucrânia, atingindo o vilarejo de Yakovlivka, a cidade de Kramatorsk e destruindo uma pista de gelo na cidade de Druzhkivka.

O governador da região de Luhansk, na Ucrânia, que junto com a vizinha Donetsk forma a região industrial de Donbas reivindicada por Moscou, afirmou nesta terça-feira que as forças ucranianas fizeram avanços constantes na direção de Svatove e Kreminna, sob controle russo.

"(As forças russas) estão acostumadas a ter uma vantagem completa tanto na artilharia quanto nos projéteis. Agora alcançamos a paridade e nossos homens da artilharia estão atirando melhor, atingindo mais depósitos de munição e quartéis, enquanto disparam muito menos tiros", disse o governador Serhiy Haidai à televisão ucraniana.

O Estado-Maior militar da Ucrânia afirmou que um ataque em 31 de dezembro em uma área controlada pela Rússia na região de Kherson, no sul, matou ou feriu cerca de 500 soldados russos.

A Reuters não pôde confirmar de forma independente os relatos do campo de batalha.