Fabio Porchat chega ao primeiro time de apresentadores da Globo e fala de especulações sobre substituir Faustão: ‘Adoraria o desafio’

Carol Marques
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Sabe aquelas crianças que amam ficar numa roda de adultos ouvindo a conversa alheia, prestando atenção a tudo e às vezes até dando uns pitacos? Pois Fabio Porchat era assim. O traço, digamos, enxerido de sua infância, mal sabia ele, seria fundamental para o trabalho que iria desenvolver no futuro como ator, comediante, roteirista, diretor, apresentador... A lista de multifunções do moço não para de crescer. Mas em todas elas uma característica foi definitiva: Porchat gosta de gente.

“Não é só a senhorinha da fila que puxa conversa comigo. Sou eu muitas vezes que inicio o papo. Eu me interesso de verdade pela história das pessoas. Todo mundo tem uma para contar. E grande parte delas é engraçada. E eu não tenho problema em parar para ouvir”, diz ele.

Isso não é um convite para interrompê-lo na correria para pegar um avião, por exemplo, ou chegar cheio de intimidade em sua mesa durante um jantar num restaurante. Porchat nem vai ter coragem de situar alguém mais efusivo. Porque ele tem essa cara de amigão da escola, que ama reunir todo mundo na mesa de um boteco. E ele gostava mesmo. Quando podia.

No começo da pandemia, ano passado, ele e a mulher Nataly Mega, estavam em Los Angeles, nos EUA. Ele terminava um curso de roteiro e voltou ao Brasil antes dela, quando de fato as notícias passaram a ser mais sérias e mais próximas sobre o coronavírus. “Ela voltou no último dia antes de fechar a fronteira. Como todo mundo, a gente achava que o isolamento duraria uns dez dias. Só que não. E ficamos três meses trancados em casa. O máximo era ir ao supermercado e eu ao estúdio para o ‘Papo de segunda’”, lembra ele, que por mais inquieto que pareça, se adaptou bem à rotina de trabalhar em casa.

Porchat fez lives de entrevistas, terminou roteiro de filme e começou a desenhar a terceira temporada do “Que história é essa, Porchat?”, que, de tanto sucesso, foi parar na TV aberta. “O programa, para mim, é um grande papo na mesa de bar, onde não tem muito roteiro e as pessoas se sentem à vontade para contar suas histórias. Claro que tem uma produção por trás, a gente pede três casos histórias de cada convidado, dá uma brifada, e seleciona a que pode funcionar, mas quase sempre o que sai ali na hora fica melhor do que o esperado”, analisa o apresentador.

Frequentemente, o programa conta com convidados que levam certo ecletismo à roda. O que torna o conteúdo ainda mais curioso. Muitas vezes, porém, são as histórias que estão na plateia que ganham o público. Já teve gente, por exemplo, que saiu dali para trabalhar com Porchat. Caso da atriz Nathalia Cruz, que narrou um problema com um crucifixo, que fez todos chorarem de rir. “Ela me mandava sempre umas mensagens pelo celular. Uma pessoa que eu nem conhecia. Ela mandava umas apresentações, dizia que era para eu não me preocupar com ela, pois estava bem. Umas coisas assim. Percebi que ela tinha a pegada do humor e chamei para ir ao programa, e dali a coisa aconteceu”, conta.

Porchat tem esse dom natural de fazer amizade, “garrar coleguice”como dizem por aí. Foi assim que conseguiu ser o primeiro apresentador no país a entrevistar Sasha Meneghel, quando ela fez 18 anos. “Eu fiquei próximo da Xuxa e falei que queria entrevistar a Sasha. Xuxa disse que seria difícil, mas faria a ponte. Aí ela chega e me fala ‘olha, a Sasha gosta muito de você, mas não gosta de aparecer. Não vai rolar’. Aí eu convenci a Sasha a jantar comigo e minha mulher. E, aí, sim, ela topou um pouco depois”, recorda ele, que ficou muito amigo da família e a frequenta desde então.

Tempo para Porchat é algo muito valioso. E desde que aprendeu a administrá-lo não tem problemas. “Tenho tudo bem divididinho, a hora do trabalho, os compromissos com a família, a relação. Sou um bom administrador do meu tempo, tanto que durmo bem, oito horas por noite”, garante. Casado há seis anos com a produtora Nataly, não é raro ser cobrado pela paternidade. “Faz parte de um padrão, né? Você casa, aí ja querem saber dos filhos. Já pensei, claro. Mas ainda tenho muitas dúvidas sobre ser pai, colocar uma criança num mundo desses, de toda a responsabilidade que isso gera. E, honestamente, eu tenho um casamento tão bom. A gente se dá tão bem, assim, nós dois, que não sei se a gente quer mexer nisso. As pessoas têm mania de dizer ‘tem que isso, tem que aquilo’. Eu não tenho que nada”, explica.

Recentemente, Fábio teve o nome especulado como um dos possíveis substitutos de Fausto Silva nas tardes de domingo. Ao contrário de alguns apresentadores que preferem não se comprometer e recorrem a uma fala modesta, Porchat não foge à luta, mas ressalta que prefere não se basear numa hipótese. “Sou um apresentador da Globo, disponível e disposto para fazer coisas novas, adoraria o desafio de fazer um programa ao vivo. É claro que um programa de domingo assim é para um Luciano Huck, que tem experiência para isso. Mas eu estou superaberto para desenvolver projetos. O ‘Que história é essa?’ me dá a tranquilidade de ver que estou ali, estou no quadro de apresentadores da emissora. Mas acho que é uma coisa ainda tão distante, tão lá na frente... E eu estou com coisas engatilhadas e que não me fazem pensar numa hipótese de uma coisa que não é real. Mas adoraria, lógico, ter um programa assim, podendo criar alguma coisa, em qualquer horário, qualquer dia da semana. Algo que seja a minha cara”.