Fabio Tofic e Sergio Graziano defenderão vereadora ameaçada por criticar saudação semelhante à nazista

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os advogados Fabio Tofic Simantob e Sergio Graziano atuarão na defesa da vereadora Maria Tereza Capra (PT), da cidade de São Miguel do Oeste (SC). Ela foi acusada de quebra de decoro parlamentar e se tornou alvo de um processo de cassação por criticar manifestantes bolsonaristas que cantaram o hino nacional enquanto faziam um gesto semelhante à saudação nazista "Sieg Heil".

O episódio ocorreu no dia 2 deste mês, durante um ato golpista em São Miguel do Oeste, e se tornou objeto de investigação do Ministério Público de Santa Catarina.

"É dever de um vereador, quando percebe uma situação como aquela, anômala, denunciar e se manifestar. E isso não pode configurar motivo para uma cassação de mandato, sob pena de amordaçar parlamentares municipais de todo o Brasil", afirma Tofic Simantob sobre o processo que tramita na Câmara Municipal da cidade.

"Maria Tereza não ofendeu ninguém", diz ainda. "A moção contra a vereadora mais parece uma vendeta da ala da oposição à ela na Câmara do que um efetivo processo por motivo legítimo", segue o advogado.

Maria Tereza Capra afirma que teve seu carro riscado por detratores e passou a ser perseguida após criticar a saudação feita por bolsonaristas. Para se proteger, a parlamentar deixou sua cidade e o estado catarinense.

Em nota, o PT diz que acompanha o caso de perto por meio de sua Secretaria Nacional de Mulheres. "O fanatismo e a insensatez financiados por grandes grupos geram um caos proposital, que visa desestabilizar o sistema democrático brasileiro", afirma o partido.

"O uso do machismo e da misoginia inflama ainda mais os ataques, fazendo com que a parlamentar tivesse que deixar a cidade com a família para poder sobreviver", continua.

Símbolos e gestos nazistas são considerados crime de acordo com a Lei do Racismo (7.716/1988) com pena de reclusão de dois a cinco anos e multa. O gesto do "Sieg Heil", que significa "salve a vitória", foi usado nas décadas de 1930 e 1940 por seguidores de Adolf Hitler (1889-1945).

Principal representante da comunidade judaica brasileira, a Conib (Confederação Israelita do Brasil) também pediu que sejam investigadas as imagens de manifestantes fazendo um gesto semelhante à saudação nazista na cidade catarinense.