Fabricante indiana afirma que Brasil pagou valor tabelado por Covaxin

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A health worker shows Covaxin Vials in a health centre amid coronavirus emergency in Kolkata, India, 22 June, 2021. India's vaccinations over the next few weeks could fall short of the pace set on the first day of a federal campaign unless it makes inroads in its vast hinterland and bridges a shortage of doses according to an Indian media report.   (Photo by Indranil Aditya/NurPhoto via Getty Images)
Foto: Indranil Aditya/NurPhoto via Getty Images
  • Empresa diz que faz valores diferentes para mercado interno e externo

  • Brasil teria adquirido doses 1000% mais caras

  • Valor pago por Brasil foi de US$ 15 por dose, a mais cara adquirida pelo governo até agora

A empresa indiana Bharat Biotech, que fabrica a vacina Covaxin, se pronunciou sobre o valor das vendas do imunizante e garantiu que aplica um preço “transparente” no mercado internacional, indicando que o valor no acordo com o Brasil está dentro da tabela estipulada pela fabricante.

Além disso, a companhia afirmou que busca “compensar” parte dos custos da venda subsidiada para o mercado indiano em suas exportações e vendas para o mercado privado.

"A Bharat Biotech tem sido consistente e transparente em seus preços da COVAXIN® para fornecimentos a governos internacionais, o que foi indicado entre US$ 15 - 20 / dose, já anunciado publicamente", disse a companhia, em comunicado divulgado nesta quarta-feira (23).

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"Os suprimentos foram feitos para vários países nestes pontos de preços e vários países adicionais estão aguardando remessas nas semanas e meses que virão", afirmou.

O Ministério Público Federal (MPF) investiga o contrato realizado entre o Brasil e a fabricante indiana em fevereiro de 2021, no qual o país pagou US$ 15 por cada uma das 20 milhões de doses encomendadas. Esta foi a dose mais cara em todos os contratos firmados pelo governo federal e fabricantes de vacinas.

Este valor, conforme revelou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo na segunda-feira (21), é 1000% acima do informado em telegramas do Itamaraty meses antes do fechamento do acordo. Em 2020, o órgão estimava que o preço seria de US$ 1,34 por dose, cerca de 100 rúpias.

No dia 15 de junho, em um comunicado, a fabricante indiana revelou que há uma diferença de preço entre as doses vendidas para Índia e para o setor privado.

"O preço de fornecimento da Covaxin ao governo da Índia de 150 rúpias/ dose, é um preço não competitivo e claramente não sustentável no longo prazo", afirmou. "Portanto, um preço mais alto no mercado privado é exigido para compensar parte do custo".

Hoje, quarta-feira (23), a Bharat Biotech reiterou que vende cada uma das doses por um preço que varia entre US$ 15 e US$20 no mercado internacional. Explicou também a relação com a Precisa Medicamentos, que teria atuado como intermediária entre a empresa indiana e o governo brasileiro.

"A parceria da Bharat Biotech com a Precisa Medicamentos envolve o apoio a apresentações regulamentares, aprovações e licenciamentos para a COVAXIN", disse. "Além disso, a Precisa Medicamentos conduzirá um grande ensaio clínico Fase III no Brasil, que deverá ter início durante o terceiro trimestre de 2021".

"A aquisição e fornecimento da COVAXIN para o governo brasileiro será executada diretamente entre a Bharat Biotech e o Ministério da Saúde", afirmou.

"Embora os orçamentos para as compras da COVAXIN tenham sido alocados, até a data não foi feito nenhum fornecimento para o Brasil. A Bharat Biotech tem a capacidade de fabricação para fornecer as quantidades necessárias ao Brasil, aguardando aprovações e recebimento de ordens de compra de agências de compras no Brasil", insistiu.

De acordo com a companhia, a empresa expandiu sua produção para quatro cidade indianas e busca parcerias para fabricar a Covaxin em outros países, de forma a atender a demanda global por imunizantes.

"A COVAXIN recebeu autorizações de uso emergencial na Índia, no Brasil e em treze outros países", apontou. "Registros também estão em processo em mais de 50 países em todo o mundo, incluindo EUA e países europeus".

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