Fabricante de petiscos anuncia recolhimento de produtos por suspeita de contaminação

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bassar Pet Food, fabricante dos petiscos com suspeita de contaminação que, segundo apuração policial, podem ter provocado a morte de cachorros em pelo menos nove estados e no Distrito Federal, anunciou o recolhimento de todos os seus produtos junto a seus consumidores, que devem entregar os itens nos pontos de venda onde foram comprados.

Em nota, a empresa diz que já vinha recolhendo todas as suas linhas do varejo nacional e havia interrompido sua produção na semana passada, após os primeiros casos. A fábrica foi interditada pelo Ministério da Agricultura.

Segundo a fabricante, a nova medida foi tomada após a notícia, nesta quarta (7) de que o ministério investiga a suspeita de contaminação de uma matéria-prima fornecida por outra empresa para a produção dos alimentos.

"Por isso, a empresa está realizando um recall de todos os seus produtos junto a seus consumidores, solicitando que entreguem no local de venda os itens que já tenham adquirido anteriormente", anunciou.

A companhia também diz que retém, de modo preventivo, todos os produtos produzidos em sua planta fabril até que os laudos definitivos sejam concluídos.

A suspeita do ministério é de que os cães tenham sido contaminados por monoetilenoglicol, que foi detectado em exames preliminares de ao menos dois animais mortos. A substância, usada para refrigeração, é da mesma família do dietilenoglicol, apontado como causa da morte de dez consumidores da cerveja Belorizontina, da marca mineira Backer, entre 2019 e 2020.

A Bassar afirma não utilizar esse insumo na produção de seus petiscos. Mas o Ministério da Agricultura apura se o monoetilenoglicol pode ter contaminado outro ingrediente, esse sim reconhecido pela fabricante dos alimentos como parte de sua produção: o propilenoglicol.

Em razão dessa suspeita, a pasta determinou a suspensão imediata do uso de dois lotes da matéria-prima propilenoglicol, adquiridos pela Bassar da empresa Tecno Clean Industrial LTDA.

A Folha tentou contato com a Tecno Clean, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Por telefone, um atendente da fábrica em Contagem (MG) afirmou que não havia ninguém para se posicionar, devido ao feriado de 7 de Setembro. Também não houve resposta por email.

Já a Bassar Pet Food diz ser é "a maior interessada no esclarecimento dos fatos".

Segundo o ministério, o propilenoglicol é um aditivo permitido tanto para alimentação animal quanto para alimentação humana. Luiz Carlos Dias, professor do Instituto de Química da Unicamp (Universidade de Campinas), diz que o ingrediente é utilizado na fabricação de petiscos para cães para amaciar o produto e evitar a presença de fungos.

"Embora não tenha visto o laudo oficial, suspeita-se que esses lotes estejam acompanhados de componentes extremamente tóxicos, como monoetilenoglicol, que precisam ser evitados por meio de processos de purificação", comenta o especialista.