Facção ameaça MC Poze e governo baiano proíbe realização de festival

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Trecho do vídeo em que facção pichou “Poze na Bahia é bala”; ao lado foto do funkeiro | Fotos: reprodução
Trecho do vídeo em que facção pichou “Poze na Bahia é bala”; ao lado foto do funkeiro | Fotos: reprodução

Por Jeniffer Mendonça

“MC Poze na Bahia é bala”, ameaçou um homem segurando pistolas em frente a um portão pichado com os mesmos dizeres, acompanhado da sigla TD3, um código que representa a facção criminosa Bonde do Maluco, que é aliada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), e diversos tiros são disparados em seguida. O vídeo circulou nas redes sociais nesta semana às vésperas deste sábado (30/10) quando o funkeiro carioca faria um show no “Baile do Embrasa”, no espaço Alto do Andu, na região da Avenida Paralela, em Salvador. Com a repercussão, o secretário de Segurança Pública Ricardo César Mandarino Barretto proibiu a realização do festival em portaria emitida nesta sexta-feira (29/10).

No documento, que será publicado na edição de sábado do Diário Oficial do Estado, o secretário argumenta que a situação “tende a violar direitos e garantias fundamentais individuais e coletivas, a paz pública e a harmonia social” e que à pasta compete “zelar e garantir a ordem e a segurança de todos os cidadãos, sejam eles baianos ou provenientes de outros estados brasileiros”.

“Trabalhamos com prevenção e inteligência. Descobrimos a possibilidade de um ataque e, buscando sempre preservar vidas, proibimos a promoção dessa festa”, declarou Mandarino. Ele também determinou na portaria o isolamento preventivo do espaço Alto do Andu, pela Polícia Militar, para evitar descumprimento da determinação e que as instituições da segurança pública “adotem medidas para monitorar, acompanhar, combater e reprimir a prática de atos que ameacem o Estado Democrático de Direito, a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio”.

A Ponte tentou contato por meio da assessoria do cantor, mas até a publicação não teve resposta.

Publicação sobre o evento na página da organizadora Embrasa Fest. Shows aconteceriam neste sábado (30/10) | Foto: reprodução / Instagram
Publicação sobre o evento na página da organizadora Embrasa Fest. Shows aconteceriam neste sábado (30/10) | Foto: reprodução / Instagram

O Embrasa Fest, responsável pela organização do evento, publicou um story (postagem que com duração de 24 horas) no Instagram informando que estão cientes dos fatos e que estão tentando resolver da melhor maneira para o público não ficar “desamparado”. A reportagem também a procurou, mas não houve retorno.

Funkeiro alvo de ameaças e da polícia

Essa não foi a primeira vez que MC Poze do Rodo cancelou um show por ameaças. Em setembro, ele faria uma apresentação em Manaus (AM) e recebeu ameaças de membros da facção Cartel do Norte.

Em março deste ano a Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu uma investigação e pediu prisão contra ele e os funkeiros Negão da BL e o DJ Markinho do Jaca por terem realizado bailes em comunidades durante a pandemia. Também os indiciou pelos crimes de infração de medida sanitária preventiva, epidemia e associação ao tráfico de drogas. Na ocasião, em entrevista à Ponte, o pesquisador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania Diego Francisco declarou que a associação feita pela polícia entre artistas e produtores culturais e o crime organizado “é uma associação racista”. A reportagem questionou ao Ministério Público se houve denúncia desse caso e aguarda uma resposta.

Leia também: Polícia do Rio pede prisão de funkeiros; ação é racista, diz pesquisador

Em setembro de 2019, Poze chegou a ser preso pela Polícia Militar em um baile funk na cidade de Sorriso, em Mato Grosso, por tráfico de drogas, associação ao tráfico, incitação ao crime, apologia ao crime, corrupção de menores e fornecer bebida alcoólica a menores. Na época, a defesa do MC Poze negou que houve crime e, ao portal UOL, disse que ele foi contratado para participar do evento e tem um trabalho reconhecido. A Justiça concedeu a liberdade ao artista com medidas cautelares.

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