Facebook: órgão de defesa da concorrência dos EUA contesta compra de empresa de realidade virtual

A Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos entrou com uma ação judicial para impedir a Meta, controladora do Facebook, de adquirir a companhia de realidade virtual Within Unlimited. O órgão de defesa da concorrência argumenta que a transação permitiria ao Facebook dominar o crescente mercado de realidade virtual.

A FTC afirmou que a aquisição da Within, que desenvolve aplicativos para aparelhos de realidade virtual, incluindo o popular app fitness Supernatural, “tenderia a criar um monopólio”, de acordo com a ação, protocolada em uma corte federal de São Francisco nesta quarta-feira.

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A Meta anunciou a intenção de comprar a Within em outubro. A empresa tem feito um grande número de aquisições, a maioria delas de pequenas empresas, para ampliar sua oferta de serviços e soluções nas áreas de realidade virtual e aumentada.

O CEO da empresa, Mark Zuckerberg, acredita que, no futuro, a companhia vai ser a responsável por popularizar o metaverso, uma versão mais imersiva da internet, capaz de unir realidades física e virtual em atividades cotidianas para os usuários, como fazer compras e conversar com amigos.

Atualmente, a Meta já é a maior produtora de óculos de realidade virtual com a sua subsidiária Oculus, que detém cerca de 80% desse mercado, segundo dados da consultoria IDC. O segmento é um pequeno, mas promissor mercado da indústria de tecnologia atual.

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A Meta inclusive tem se mostrado disposta a perder dinheiro com negócios nessa área em fase inicial. Para a FTC, Zuckerberg já deixou claro que sua aspiração é controlar todo o ecossistema de realidade virtual, e a compra da Within seria um passo a mais na direção dessa dominância.

“A ação da FTC é baseada em ideologia e especulação, não em evidência”, afirmou Christopher Sgro, porta-voz da Meta, acrescentando que, para a empresa, a ideia de que essa aquisição irá levar a resultados anticompetitivos em um setor dinâmico “simplesmente não é crível”.

A FTC também processa a Meta por causa da aquisição do Instagram em 2012 e do WhatsApp em 20214, argumentando que a estratégia da empresa era impedir o desenvolvimento de competidores do Facebook. A ação segue em tramitação, mas a Meta argumenta que as aquisições foram legais.