Facebook desiste de vender anúncios no WhatsApp, diz jornal

A estratégia de Zuckerberg será agora criar funções para empresas dentro do aplicativo de mensagens

O Facebook desistiu de vender anúncios no WhatsApp, afirmou o Wall Street Journal, citando fontes a par do assunto. O plano de fazer publicidade no aplicativo de mensagens criou tensão dentro da empresa de Mark Zuckerberg e levou os criadores do WhatsApp a se demitirem do Facebook um ano e meio atrás.

De acordo com as fontes citadas pelo WSJ, nos últimos meses o WhatsApp pôs fim a uma equipe que trabalhava na futura integração de anúncios ao app. Toda a programação feita para mesclar a publicidade ao software foi apagada, disseram as pessoas.

A desistência demonstra os problemas que o Facebook vem tendo em tornar o WhatsApp lucrativo. Zuckerberg o adquiriu em 2014 por US$ 22 bilhões, mas ele ainda é deficitário mesmo com mais de 1,5 bilhão de usuários. Antes de ser comprado pelo Facebook, o aplicativo ganhava dinheiro com taxas para downloads e uma assinatura anual de US$ 0,99. Mas, ao adquiri-lo, Zuckerberg o tornou gratuito e, em 2018, anunciou planos para aumentar a receita com ele via anúncios.

Agora, a ideia seria colocar, em algum ponto no futuro, anúncios na função Status, que permite posts passageiros, como no Stories do Instagram. Enquanto isso, o Facebook deverá se concentrar em criar funções pagas que permitam a empresas se comunicar com clientes via WhatsApp, gerenciando de perto essas interações, revelou uma fonte com conhecimento do assunto, segundo o WSJ.

A tentativa de inserir anúncios levou os criadores do WhatsApp, Brian Acton e Jan Koum, a saírem do Facebook, levando US$ 1,3 bilhão de indenização. Em 2016, a dupla já adicionara aos termos de serviço do software a proibição do uso de anúncios nele, o que complicou os planos do Facebook.

Em 2014, pouco após a aquisição do WhatsApp pelo Facebook, Zuckerberg disse durante evento sobre smartphones, em Barcelona, que "nada mudaria no aplicativo".

— Eles (o WhatsApp) poderão usar nossa infraestrutura para ganhar escala e crescer mais. Mas continuarão autônomos — garantiu Zuckerberg, no que foi seguido pelo próprio Jan Koum.

Seis anos depois, o desenrolar da história se mostrou diferente do prometido.

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