Facebook deve proibir militares de Mianmar de usar suas redes

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A 3D printed Facebook's new rebrand logo Meta and Facebook logo are placed on laptop keyboard in this illustration taken on November 2, 2021. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
Facebook deve proibir empresas controladas por militares de Mianmar de estarem nas redes do Grupo Meta, em meio a golpe e processo por discurso de ódio. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
  • Grupo Meta deve proibir empresas controladas por militares de Mianmar de terem presença nas redes;

  • Facebook ocupa principal papel no país como o canal de Internet dominante;

  • Proibição ocorre em meio a golpe militar em Mianmar e processos por discursos de ódio no país;

O grupo Meta Platforms, anteriormente conhecido como Facebook, disse nesta quarta-feira que iria proibir todas as empresas controladas pelos militares de Mianmar de terem presença em suas plataformas em uma expansão de suas restrições anteriores as forças de segurança do país, de acordo com informações da agência Reuters.

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A gigante de tecnologia dos Estados Unidos já havia anunciado em fevereiro que impediria todas as entidades ligadas aos militares, conhecidas no país asiático como Tatmadaw, de anunciar em suas plataformas. Fontes da rede social consultadas pela agência disseram que o Facebook já havia retirado do ar mais de 100 contas, páginas e grupos vinculados a empresas controladas por militares de Mianmar.

Reação vem após golpe militar no país e processo de grupo étnico

Os militares de Mianmar derrubaram o governo democraticamente eleito de Aung San Suu Kyi em um golpe em fevereiro, gerando protestos generalizados. O Facebook desempenha um papel desproporcional no país, como o canal de internet dominante, e assim, continua sendo amplamente usado por manifestantes contra o regime militar e seus soldados, segundo a Reuters. 

Depois de sofrer fortes críticas internacionais por não conter as campanhas de ódio online, o Facebook reagiu contra os militares e, desde o golpe, introduziu medidas para tentar proteger os usuários de Mianmar. Porém, mesmo assim a rede social recebeu processos e críticas nos últimos anos. A empresa é processada em alguns países por refugiados do grupo étnico Rohingya.

Em 2018, especialistas em direitos humanos da ONU que investigavam ataques contra os Rohingya disseram que o Facebook desempenhou um papel na disseminação do discurso de ódio, e processos afirmam que os algoritmos da empresa amplificaram o discurso de ódio contra o povo rohingya e que não gastou dinheiro suficiente para contratar moderadores e verificadores de fatos que falassem os idiomas locais ou entendessem a situação política. 

Os processos também afirmam que o Facebook não conseguiu fechar contas e páginas ou remover postagens que incitassem a violência ou usassem discurso de ódio contra o grupo étnico, permitindo assim que a plataforma fosse usada por nacionalistas budistas radicais e membros militares para promover uma campanha de violência contra os Rohingya, 700.000 dos quais fugiram de uma repressão do exército em 2017, de acordo com informações da agência Reuters.

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