Facebook estreia manual contra as "fake news"

Por Damian WROCLAVSKY
Facebook, Twitter, Youtube e Microsoft suprimem quase 60% dos conteúdos assinalados como incitadores ao ódio

O Facebook está em campanha contra as informações falsas que tantas dores de cabeças deram às empresas tecnológicas nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

E o primeiro passo da sua cruzada global será um tipo de manual para que os usuários aprendam a detectá-las, que a partir de sexta-feira estará na seção central da rede social em 14 países, entre eles Brasil, México, Colômbia e Argentina.

"As notícias falsas desinformam as pessoas e corroem sua confiança em nossa plataforma. Embora não se trate de um problema novo nem exclusivo do Facebook, entendemos que temos um papel a desempenhar", disse Luis Olivalves, executivo da empresa de Mark Zuckerberg, em uma conversa por telefone com a AFP.

"Nos preocupa muito", acrescentou.

Com 114 milhões de usuários mensais, o Brasil é o segundo país mais ativo no Facebook do mundo, segundo dados da companhia californiana.

O assunto gerou questionamentos sobre as empresas que reinam no ecossistema virtual, por terem sido supostamente usadas para veicular rumores, e ganhou mais força com a possibilidade de que essas notícias tenham influenciado o resultado eleitoral que levou o magnata Donald Trump à Casa Branca.

Após se somar a um fundo de pesquisa de 14 milhões de dólares para ajudar o público a distinguir os conteúdos jornalísticos das informações falsas, o Facebook decidiu disponibilizar online seu próprio programa "educativo".

Aliada ao First Draft, uma ONG que se dedica a verificar conteúdos gerados nas redes sociais, a companhia enfrenta um problema em grande escala, que pode se resumir no descrédito intrínseco que implica a frase "li na internet".

"Eliminar a desinformação na internet é uma tarefa muito maior do que uma empresa", apontou Olivalves, para quem a prioridade é limitar os lucros dos geradores de notícias falsas, que atraem usuários com títulos atrativos para que consumam suas publicidades.

A propagação desse tipo de informação que for notificada como suspeita pelos leitores ou que registre um alto índice de difusão sem ter sido lida será restringida.

A campanha estará disponível também na Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Filipinas, Indonésia, Taiwan, Estados Unidos e Canadá.

Em todos esses lugares, os que acessarem o manual poderão ler sua lacônica mensagem inaugural: "Desconfie dos títulos".

- Contra o "pornô de vingança" -

Na quarta-feira, o Facebook lançou outra iniciativa, em escala global, para combater o "pornô de vingança" na rede social líder, assim como no Instagram e no aplicativo de mensagens Messenger.

"Isto é parte do nosso esforço contínuo para ajudar a construir uma comunidade segura dentro e fora do Facebook", disse a diretora de segurança global da empresa, Antigone Davis, em um blog.

Quando forem notificadas, confirmadas ou apagadas fotografias íntimas compartilhadas no Facebook sem permissão, a empresa utilizará a tecnologia de correspondência de fotos (photo-matching) para impedir que cópias da imagem original sejam compartilhadas na plataforma de novo.