Facebook restringirá compartilhamento de notícias na Austrália, desafiando reguladores

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Facebook vai restringir o compartilhamento de notícias na Austrália

O Facebook informou nesta quarta-feira (17) que vai restringir o compartilhamento de notícias na Austrália, recusando-se a ceder ao projeto de lei que visa forçar a rede social a dividir sua receita com a imprensa.

"A lei proposta interpreta mal a relação entre nossa plataforma e a mídia que a usa para compartilhar conteúdo de notícias", disse o gerente do Facebook para a Austrália e Nova Zelândia, William Easton.

A Austrália está prestes a adotar uma legislação que obrigaria as empresas digitais a pagar pela publicação de notícias, algo que criaria um precedente global.

"Isso nos deixou diante de uma escolha difícil: tentar cumprir uma lei que ignora a realidade dessa relação ou parar de permitir conteúdo de notícias em nossos serviços na Austrália. Com um peso no coração, estamos escolhendo a segunda opção", afirmou Easton.

A medida do Facebook foi na direção contrária ao Google, que nos últimos dias negociou acordos com grupos de mídia, incluindo a News Corp. de Rupert Murdoch, em resposta à pressão da regulamentação.

O Google concordou em fazer "pagamentos significativos" à News Corp por seu conteúdo, anunciaram as duas empresas em comunicado nesta quarta.

No início da semana, autoridades australianas disseram que os dois gigantes da tecnologia dos Estados Unidos estavam chegando a acordos com grandes veículos de comunicação da Austrália para resolver um impasse que está sendo observado de perto em todo o mundo.

As empresas ameaçaram retirar parcialmente seus serviços do país se a proposta se tornasse lei, desencadeando uma guerra de palavras com Canberra.

Em um comunicado, o Facebook disse que, com a nova política, os australianos "não podem ver ou compartilhar notícias australianas ou internacionais no Facebook".

Isso também significa que usuários em outras partes do mundo não podem ver ou compartilhar conteúdos jornalísticos australianos no Facebook.

- "Troca de valores" -

Segundo Easton, o Facebook alegou às autoridades australianas que "a troca de valores entre o Facebook e os publicadores favorece mais os publicadores" e gera centenas de milhões de dólares de receita para as organizações de mídia.

"Há muito trabalhamos para criar regras que encorajassem a inovação e a colaboração entre plataformas digitais e organizações de notícias", afirmou Easton.

"Infelizmente, essa legislação não faz isso. Em vez disso, busca penalizar o Facebook por conteúdos que não pediu."

Segundo a entidade de controle competente da Austrália, para cada 100 dólares gastos em publicidade online, o Google fica com 53, o Facebook leva 28 e o resto é compartilhado entre outros, privando a imprensa da renda necessária para sustentar o jornalismo.

Essa situação se reflete em outras partes do mundo, onde as plataformas de tecnologia estão enfrentando uma pressão cada vez maior para dividir as receitas com a mídia.

A chefe de associações de notícias do Facebook, Campbell Brown, disse no Twitter que a empresa relutou em bloquear os conteúdos de notícias para os australianos.

“Nosso objetivo era encontrar uma solução que fortalecesse a colaboração com as editoras, mas a legislação não reconhece a relação fundamental entre nós e as organizações de notícias”, escreveu ela.

Na quarta-feira, o Google assumiu a postura oposta, anunciando seu acordo com a News Corp. Um comunicado conjunto classificou o negócio como uma "parceria histórica de vários anos", que permitirá a exibição das publicações do gigante da mídia no Google Notícias.

O acordo abrange o conteúdo dos americanos Wall Street Journal, Barron's, MarketWatch e New York Post, os britânicos The Times, The Sunday Times e The Sun, e diversos veículos australianos, incluindo o The Australian.

Mais recente grande organização de mídia privada a chegar a um acordo, a News Corp é decisiva para que o governo conservador da Austrália possa enfrentar os gigantes da tecnologia.

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