Fachadas e até viadutos da cidade estão cobertos por vegetação, que pode oferecer risco

Gilberto Porcidonio
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86408917_RI Rio de Janeiro RJ 07-01-2020 Arbustos em prédio abandonados e viadutos Arvores crescem n.jpg

Uma construção na Gamboa, na Zona Portuária, tem quase toda a parede tomada por vegetação: há sinais de degradação do prédio

RIO — Cidade bonita por natureza, o Rio de Janeiro ostenta verde em suas encostas e florestas urbanas. Porém, às vezes, a vegetação também encontra uma forma de se expressar em meio ao concreto da cidade, surgindo, de forma espontânea, em fachadas de casas e prédios e até em viadutos. Mas a poesia na paisagem urbana para por aí. Especialistas alertam que essas construções não estão livres de risco devido a infiltrações.

Na Estação Leopoldina, abandonada há algum tempo, as carcaças de vagões de trens antigos dividem, há décadas, o espaço com o mato que cresceu ao redor. Quem vê de cima pode notar o contraste do marrom da ferrugem dos veículos com o verde da vegetação. Na Linha Vermelha, na pista em direção ao Centro, na altura de São Cristóvão, uma pequena árvore com cerca de um metro brotou no asfalto, junto à mureta. No Hospital da Gamboa, no Santo Cristo, as plantas sobem pelos muros e pelas paredes da unidade como se como se formassem um manto verde. Na Lapa, um sobrado próximo aos Arcos exibe praticamente a copa de uma árvore em seu telhado. A situação é a mesma em um edifício na Rua Frei Caneca, no Centro, onde um grande arbusto “vaza” das paredes do prédio para área externa.

As cenas inusitadas dessa “potência da natureza” podem gerar grandes dores de cabeça. Edificações com vegetações aparentes podem apresentar sérios problemas estruturais. De acordo com o arquiteto e urbanista Manuel Fiaschi, a construção, ao chegar a esse ponto, já sofreu a degradação de seu inimigo número um: a infiltração.

— A vegetação acha espaço para se infiltrar e crescer entre o concreto e as paredes, já que tijolo também é terra. A raiz da figueira é muito forte e entra pela edificação e pelas calçadas — explica Fiaschi. — Na Alemanha, tem gente que pesquisa “construções vivas”, em que árvores fazem parte da estrutura. Mas ainda é algo utópico.

A Secretaria municipal de Urbanismo informou que é obrigatória a autovistoria em prédios com três ou mais pavimentos ou em fachadas com projeção de marquise ou varanda sobre o passeio público.