Fachin critica tentativa do governo Bolsonaro de mudar eleição no Brasil: “Um pré-fascismo”

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Brazilian Supreme Court judge Edson Fachin attends the trial of senator and Workers' Party president Gleisi Hoffmann for corruption and money laundering, at the Supreme Court in Brasilia, on June 19, 2018. - Hoffmann is the latest in a long string of high-ranking politicians, including many from the Workers' Party, caught up in Brazil's sprawling
Ministro do STF Edson Fachin é, também, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Ministro Edson Fachin chamou o presidente Jair Bolsonaro de "líder populista"

  • Vice-presidente do TSE, Fachin disse que ideia de mudar sistema de votação é uma tentativa de "sequestrar o poder"

  • Fachin ainda classificou a situação do Brasil como um "pré-fascismo"

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, fez críticas à tentativa de mudar o sistema de votação para as eleições de 2022. Ele é, também, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o ministro, a tentativa de implementar o voto impresso é uma tentativa de “sequestrar o poder”.

“A chave, nada obstante, para a preservação da experiência democrática, está sendo questionada por atores políticos interessados que almejam sequestrar o poder, estabelecendo um regime de inverdade consensual, um acordo sobre a mentira que é fruto desses tempos denominados de pós-verdade, o que a rigor é a antessala, é um pré-fascismo”, declarou.

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Nesta quinta-feira (22), Fachin participou de um evento online, o II Encontro Internacional “Democracia na Pós-pandemia” promovido pela Transparência Eleitoral Brasil.

“Basta ler os periódicos do dia de hoje, buscam naturalizar um eventual descarte da consulta popular, o que, na prática significa instaurar um regime de exceção”, afirmou Edson Fachin.

O vice-presidente do TSE não citou o presidente Jair Bolsonaro, mas disse que o Brasil “experimenta hoje o assédio discursivo que engloba referências diretas que a um eventual boicote ao evento de 2022”. O presidente da República é um entusiasta da volta do voto impresso e já fez ameaças dizendo que, sem essa mudança, não haveria eleição no próximo ano.

“Tudo isso se assenta em acusações de fraude categoricamente vazias de provas e sem respaldo na realidade”, afirmou. Além disso, Fachin classificou o presidente Bolsonaro como um “líder populista que se recusa a obedecer às regras vigentes, que queira suas próprias regras para disputar as eleições, que se recuse a ter o seu legado como é próprio da democracia, ser escrutinado pela sociedade no bojo de uma eleição”.

Fachin ainda afirmou que as ameaças são uma “tentativa de golpe contra a Constituição”, que “mira a demissão das liberdades pública e o soterramento da democracia”. “Fora do marco eleitoral, fora da democracia, o governo do povo se transforma no governo sobre o povo”, disse o ministro do STF.

Edson Fachin afirmou que a perspectiva é grave e pontuou que é “fundamental uma defesa da engenharia eletiva contra a franca nocividade de sermões populistas que embalam ameaças à democracia, os riscos da desinformação e tentativa de descontinuidade do regime constitucional”.

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