FACT-CHECK: Desinformação acompanha eleição municipal no Brasil

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No próximo domingo, 15 de novembro, os eleitores brasileiros irão às urnas escolher vereadores e prefeitos, em uma eleição municipal realizada com o pano de fundo inédito da pandemia de covid-19.

Mas, semanas antes, o assunto já era tema de desinformação nas redes sociais.

Confira abaixo, as principais verificações da AFP.

- Horário exclusivo para idosos -

"Utilidade Pública: Nessas eleições o horário das 7h as 10h da manhã é exclusivo para maiores de 60 anos.. Vamos respeitar a Vida", escreveu um usuário no Facebook.

Mas isso não é verdade. Para reduzir o risco de propagação do novo coronavírus, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ampliou em uma hora o horário da eleição - passando de 8h às 17h, para 7h às 17h - e determinou que as primeiras três horas de votação serão preferenciais para idosos, mas não exclusivas.

"Nenhum eleitor, portanto, será impedido de votar das 7h às 10h, devendo apenas respeitar a prioridade estabelecida pelo TSE", explicou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais.

Veja mais aqui: http://u.afp.com/HorarioVotacao

- Eleitor com covid-19 poderá, sim, votar -

Já outras postagens garantem que pessoas que tiverem contraído a covid-19 até 14 dias antes das eleições estão proibidas de votar. Isso também é falso.

O TSE realmente recomendou que pessoas nessa situação fiquem em casa, mas elas poderão votar se assim desejarem. "Não há norma que proíba a votação em caso de sintomas ou contaminação pela Covid-19. As medidas de segurança tomadas pelo TSE são capazes de proteger os eleitores inclusive na eventualidade de haver pessoas contaminadas", explicou a corte.

Além disso, quem deixar de votar devido à doença terá 60 dias para apresentar justificativa ao juiz eleitoral sob risco de pagamento de multa, como acontece com aqueles que se ausentam por qualquer outro motivo.

Veja mais aqui: http://u.afp.com/VotacaoCovid19

- Voto pelo celular -

Outras publicações no Facebook e no YouTube distorcem informações sobre um projeto de estudo lançado pelo TSE, afirmando que a corte autorizou o voto pelo celular para as eleições deste ano.

O programa prevê, contudo, apenas a demonstração de tecnologias de voto on-line. Como parte do projeto, eleitores que se dispuserem poderão testar soluções de votação digital no dia 15 de novembro, em simulações com nomes de partidos e candidatos fictícios.

A demonstração não influenciará em nada o voto para prefeitos e vereadores.

Veja mais aqui: http://u.afp.com/VotoCelular

- Segurança das urnas -

Outros usuários recorreram às redes para colocar em dúvida a segurança das urnas eletrônicas, utilizando uma retórica frequentemente empregada pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, desde que as urnas eletrônicas começaram a ser usadas em 1996 não houve nenhuma confirmação de fraude em uma eleição.

Como explica o TSE, a urna utilizada no Brasil foi projetada para ser um aparelho isolado, ou seja, que funciona sem estar conectada a qualquer dispositivo de rede, "o que preserva um dos requisitos básicos de segurança do sistema". Após a apuração, a urna também emite um boletim com o total de votos por candidato, que pode ser conferido por qualquer pessoa.

Mário Gazziro, doutor em Física Computacional, explicou à AFP porque seria difícil fraudar uma eleição com urnas eletrônicas: "Não basta copiar o software da urna e adulterar. Tem que ter a chave de codificação correta para poder enviar os dados adulterados da eleição ao TSE".

Veja mais aqui: http://u.afp.com/UrnaEletronica

- Urna eletrônica em 15 outros países -

"193 países no mundo. Apenas 3 usam urnas eletrônicas. Brasil, Cuba e Venezuela", dizem outras postagens, compartilhadas mais de 35 mil vezes nas redes. Isso também é falso.

De acordo com o Institute for Democracy and Electoral Assistance, além do Brasil, outros 15 países usam urnas eletrônicas com gravação direta (com ou sem impressão em papel verificável pelo eleitor). Há também outros modelos de votação eletrônica, como o voto pela internet, regulamentados em 10 países.

Além disso, Cuba não utiliza urnas eletrônicas em suas votações, mas cédulas de papel, como previsto em sua lei eleitoral.

Veja mais aqui: http://u.afp.com/Urna3Paises

- Denúncia antiga -

Um vídeo em que dois policiais militares relatam um suposto indício de fraude em urnas eletrônicas também foi amplamente compartilhado como se a denúncia fosse referente às eleições municipais deste ano.

A gravação dos policiais foi feita, contudo, em outubro 2018 e sua denúncia foi considerada infundada por autoridades. Como consequência, os agentes foram condenados pelo crime de perturbação dos trabalhos eleitorais.

Veja mais aqui: http://u.afp.com/PoliciaisUrnas

- Brasil como a Venezuela -

A imagem de uma escada rolante fora de funcionamento e rodeada de detritos foi compartilhada com mensagens que afirmavam que o Brasil ficaria da mesma maneira caso os eleitores escolhessem "esquerdistas" nas eleições.

"Esse é um Shopping da Venezuela. Se não souberem votar, em breve, os do Brasil também ficarão assim... Não VOTEM em esquerdistas", escreveram usuários. A foto foi feita, contudo, em um shopping abandonado em Ohio, nos Estados Unidos.

Veja mais aqui: http://u.afp.com/ShoppingVenezuela

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