Fake news: Aprenda a identificar conteúdos falsos com poucos cliques

Ilustração sobre fake news e o cenário eleitoral brasileiro em 2022 (Foto: AFP via Getty Image / Mauro Pimentel)
Ilustração sobre fake news e o cenário eleitoral brasileiro em 2022 (Foto: AFP via Getty Image / Mauro Pimentel)
  • Informações falsas têm 70% mais chances de serem retuitadas do que informações verdadeiras

  • Para combater a disseminação das fake news, é importante a educação midiática, que ajuda a formar cidadãos com um maior senso crítico

  • Além disso, passos simples podem ser colocados em prática no dia a dia para evitar cair em boatos e repassar desinformação nas redes

Desde 1º de agosto, o Yahoo! Notícias já verificou cerca de 40 informações falsas que circularam pelas redes relacionadas às eleições gerais. O volume de boatos em circulação durante o último mês reforça uma conclusão do MIT (​​Instituto de Tecnologia de Massachusetts): mensagens falsas têm 70% mais chances de serem retuitadas do que informações verdadeiras.

O instituto identificou a tendência em um estudo sobre o Twitter e a disseminação de "fake news" realizado em 2018.

Nesse cenário, a educação midiática surge como uma ferramenta poderosa de combate à desinformação. A educação midiática nada mais é do que o ensino voltado à formação de uma visão crítica no meio informacional, seja ele impresso ou digital.

Para evitar acreditar em notícias falsas que circulam nas redes sociais, além de uma dose de desconfiança, há uma série de ferramentas que permitem, em poucos cliques, saber mais sobre as informações antes de as compartilhar.

Por isso, a reportagem do Yahoo! Notícias reuniu três passos simples que qualquer pessoa pode colocar em prática para conferir se uma informação é real ou falsa.

Antes do primeiro passo é preciso sempre olhar para as mensagens nas redes sociais com senso crítico.

Muitos dos boatos que circulam sequer indicam qual a fonte da informação. Outra parte, porém, se utiliza justamente da reputação de determinados veículos da imprensa para agregar credibilidade às informações falsas. Nesse segundo caso, são bastante adotadas montagens, como estas já verificadas pelo Yahoo! Notícias que simularam reportagens do G1 e do Jornal Nacional.

Por isso, o recomendado é sempre desconfiar e buscar a informação direto na fonte: em sites oficiais, de universidades ou de veículos de imprensa consolidados.

Faça uma pesquisa direcionada

Ao receber uma mensagem contendo uma informação, a primeira coisa a se fazer – e a mais simples – é buscar no Google.

Nesta semana, circularam nas redes sociais publicações afirmando que o vocalista da banda Iron Maiden teria declarado apoio ao presidente Jair Bolsonaro durante seu show no Rock in Rio na noite da última sexta-feira (2).

Para verificar a autenticidade da informação, um passo bem simples seria fazer uma busca pelas palavras-chave no Google: "Bruce Dickinson Bolsonaro Rock in Rio 2022". Alguns dos primeiros resultados já desmentiram o boato.

No caso de mensagens que mencionam como fonte um site ou veículo de imprensa específico, é possível procurar por publicações feitas somente naquele site mencionado, colocando no buscador "site:[domínio do site procurado]".

Utilizando o exemplo da suposta notícia do G1 sobre Lula ter prometido revogar o PIX, uma possibilidade é buscar no Google pelo título que aparece na imagem "Banqueiros definem apoio à Lula em troca da revogação do PIX" somado ao termo "site:g1.globo.com". Assim os únicos resultados entregues serão aqueles publicados no site do G1:

Captura de tela de uma busca no Google por palavras-chave (Foto: Internet / Reprodução)
Captura de tela de uma busca no Google por palavras-chave (Foto: Internet / Reprodução)

Como nenhum dos resultados traz a suposta publicação e há somente textos desmentindo a história, já é possível concluir que se trata de um boato.

Para fazer uma pesquisa ainda mais direcionada para saber se a publicação é um fato ou um boato, uma ótima ferramenta é o Fact Check Explorer do Google. Ela apenas direciona para checagens e a busca pode ser feita de maneira semelhante à no Google. Basta acessar o site e digitar as palavras-chave desejadas:

Captura de tela de uma busca no Fact Check Explorer do Google por palavras-chave (Foto: Internet / Reprodução)
Captura de tela de uma busca no Fact Check Explorer do Google por palavras-chave (Foto: Internet / Reprodução)

Use imagens em buscas reversas

Nem sempre pesquisas no Google vão resolver a situação. Isso porque pode não haver ainda uma notícia ou uma checagem sobre o assunto. Mas ainda assim, é possível encontrar a informação verdadeira.

Muitas vezes, na tentativa de atribuir credibilidade à informação compartilhada, utilizam-se fotos ou vídeos como "provas". Para saber se eles são verdadeiros ou se foram feitas montagens, é possível utilizar o próprio registro para pesquisar se há ou não imagens semelhantes nas redes.

Primeiramente, você vai salvar a imagem ou copiar o seu link clicando com o botão direito do mouse. Depois basta acessar o Google normalmente e clicar em "imagens" no canto direito superior da tela:

Captura de tela de uma busca reversa no Google por imagens (Internet / Reprodução)
Captura de tela de uma busca reversa no Google por imagens (Internet / Reprodução)

Em seguida, clique no símbolo de uma câmera e selecione o arquivo da imagem desejada ou cole o seu link:

Captura de tela de uma busca reversa no Google por imagens (Internet / Reprodução)
Captura de tela de uma busca reversa no Google por imagens (Internet / Reprodução)

A partir daí basta verificar entre os resultados se há imagens semelhantes ou se os registros parecem diferentes, o que pode indicar que a imagem que você está verificando é uma montagem.

Neste exemplo, uma uma imagem de Lula supostamente abraçando e beijando a Suzane von Richthofen estava viralizando nas redes sociais. Ao buscar pelas imagens, foram encontrados resultados diferentes, inclusive com o contexto original da foto:

Captura de tela de uma busca reversa no Google por imagens (Internet / Reprodução)
Captura de tela de uma busca reversa no Google por imagens (Internet / Reprodução)

No caso de vídeos, basta fazer capturas de tela de alguns trechos e utilizá-los para fazer a busca reversa de imagens.

Esse mecanismo também pode ser utilizado para conferir se uma foto ou um vídeo foram feitos na data alegada.

Por exemplo, logo antes e depois das manifestações de 7 de setembro de 2022 vídeos circularam como se fossem relacionados ao evento. Porém, a partir de uma busca reversa de imagens, a reportagem do Yahoo! Notícias encontrou as mesmas imagens publicadas em setembro de 2021.

Vale lembrar que essa busca pode ser feita em outros buscadores além do Google, como o Yandex e o Bing. Então, se ao pesquisar no Google você não encontrar um resultado, é possível fazer o mesmo processo nesses outros sites.

Ajude a combater a desinformação

Se nenhuma das dicas funcionar, o primeiro a se fazer é não repassar a informação. Além disso, você pode pedir para que alguma agência de checagem cheque o conteúdo.

Você também pode denunciar publicações que contêm desinformação diretamente no Facebook, Instagram, Twitter, TikTok ou YouTube.

Cada plataforma tem o seu mecanismo, mas, basicamente, basta clicar nos três pontinhos ao lado ou no canto superior direito da publicação e escolher a opção de denunciar informação falsa.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem um sistema próprio de alerta, no qual é possível registrar denúncias sobre conteúdos desinformativos acerca do processo eleitoral. Desde junho até o início de setembro, mais de 1.900 denúncias foram enviadas ao tribunal por meio do sistema.