Falsa enfermeira é presa por morte de paciente após procedimento estético

RIO — Uma falsa enfermeira foi presa por homicídio doloso com exercício ilegal da medicina, que resultou na morte de uma paciente após um procedimento estético. Mariana Ramos de Jesus, de 41 anos, fazia as negociações com as potenciais clientes via aplicativo de mensagens, em que enviava fotos de antes e depois das intervenções, que consistiam em aplicar uma substância química nos glúteos para aumento de volume. A ação, realizada nesta quarta-feira pela 50ª DP (Itaguaí), sob a coordenação do delegado Marcos Santana, também cumpriu mandado de busca e apreensão no endereço onde a clínica era cadastrada, o mesmo da residência de Mariana, em Campo Grande, Zona Oeste da cidade do Rio.

O metacril, nome comercial do polimetilmetacrilato (PMMA), podia ser aplicado em procedimentos realizados na casa da paciente. Toda a negociação era feita via mensagem, por WhatsApp, em que Mariana enviava as regras para o procedimento, esclarecia dúvidas e falava das vantagens do uso da substância química quando comparada ao silicone. De acordo com a polícia, os atendimentos estéticos eram feitos com auxílio da filha da falsa enfermeira, Ana Carolina Ramos, de 25 anos, também alvo da operação.

Em julho do ano passado, Shayene Nunes Pinto, de 26 anos, contratou o serviço. Durante a negociação foi explicado que o valor de R$ 2.500 pelo procedimento — por 500 ml em cada glúteo — poderia ser pago pela metade antes da sessão e o restante no dia do atendimento. A vítima recebeu fotos que seriam de pacientes anteriores, sempre de biquíni, onde eram exibidos os resultados. Nas mensagens trocadas, uma destacava, entre os pontos positivos, uma recuperação rápida, ser menos invasiva e um atendimento com cerca de uma hora de duração, com liberação para casa no mesmo dia.

O comunicado ainda afirma que tal procedimento "não é cirurgia", o que permitiria ser realizado a "nível ambulatorial (residência ou espaço de estética)". De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o metacril pode ser usado, mas em quantidade bem menor, como em torno de 22 ml, e desde que feito por médico habilitado. Segundo as investigações, Mariana se apresentava como enfermeira, mas não possui COREN-RJ ou formação acadêmica na área. No CNPJ ela aparece como proprietária da empresa de estética ¨Mariana Jesus Estética¨, com endereço em sua residência, na Estrada do Campinho, em Campo Grande, no Rio.

Em outra mensagem encaminhada por Mariana, ela destaca que após 30 dias não mais se responsabilizava "por nenhum tipo de aparecimento de sintomas atípicos" e "até mesmo casos alérgicos tardios". Shayene teve complicações e a falsa enfermeira indicava apenas analgésicos e antiinflamatórios, colocar gelo, fazer massagens e pulsões na região, segundo a polícia.

A paciente pediu a devolução do dinheiro para que pudesse buscar auxílio de um outro médico, mas foi negado. Shayene foi internada no Hospital Municipal São Francisco Xavier, em Itaguaí, após piora do quadro clínico, e morreu no dia 20 do mesmo mês. Conforme laudo, a causa foi tromboembolia pulmonar, septicemia e síndrome inflamatória sistêmica decorrente da aplicação do metacril. A vítima deixou dois filhos — um de 10 anos e outro de 9.

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