Falso call center que dava golpe em idosos tinha jingle de banco e protocolo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sete pessoas foram presas em flagrante, na terça-feira (21), em São Paulo, suspeitas de aplicar golpes, principalmente em idosos, por meio de um sofisticado serviço falso de call center.

Segundo a investigação, os estelionatários simulavam com riqueza de detalhes o atendimento bancário padrão por telefone, contando com vinhetas de bancos e até números falsos de protocolo, para simular autenticidade nas operações e invadir a conta das vítimas. Entre os presos há um estudante de engenharia e outro de gestão financeira.

A defesa dos detidos, com idades entre 19 e 32 anos, não havia sido localizada até a publicação desta reportagem.

"Os criminosos mantinham em computadores uma relação com centenas de milhares de vítimas [com dados pessoais e bancários], com cadastros em todas as regiões do país", explicou o delegado Pedro Ivo Corrêa, titular da 5ª Delegacia do Patrimônio do Deic, especializada na investigação de roubos a banco.

O policial acrescentou que a quadrilha comprava os cadastros das vítimas. A origem das listas, assim como sua comercialização, ainda é investigada.

Com as informações financeiras em mãos, o grupo traçava uma estratégia diferente para atacar cada vítima. Em alguns casos, falava que era preciso confirmar o pagamento de parcelas de empréstimos, por exemplo. Em outros, o golpista fingia que a ligação era para corrigir alguma falha de segurança na conta do idoso, alegando que ele corria o risco de ser vítima de golpe.

Tudo isso era feito para conseguir que a vítima revelasse a senha e desse aos criminosos acesso à conta.

O bando atuava desde o início do ano passado em um imóvel no bairro Elisa Maria (zona norte), onde os sete criminosos foram presos em flagrante.

Quando investigadores do Deic entraram na casa, a quadrilha havia aplicado um golpe em um idoso de 82 anos, do Rio Grande do Sul. Em poucas horas, segundo o delegado, os criminosos tinham desviado cerca de R$ 3.000 de vítimas.

"Agora levantamos o número de golpes e o dinheiro arrecadado pelo bando. Mas já identificamos que eles ostentavam uma vida de luxo. Um dos suspeitos, inclusive, havia feito uma cirurgia de lipoaspiração recentemente", afirmou o policial.

"O diálogo entre esses operadores e as vítimas, sempre muito amistoso e solícito, contribuía para obter as senhas e outras informações", afirma trecho de nota do Deic.

Foram apreendidos sete computadores, celulares, documentação relacionada aos golpes, além de dinheiro. O bando foi indiciado por estelionato, com o agravante de ser aplicado por meio eletrônico e contra idosos, além de associação criminosa.

As investigações continuam para identificar vítimas e mais pessoas envolvidas no golpe, incluindo eventuais funcionários de instituições bancárias.

No último do dia 15, quatro mulheres, com idades entre 18 e 19 anos, foram presas por suspeita por também operarem um call center ilegal para golpes. A central clandestina ficava na região de Perus, na zona oeste da capital paulista.

SEGURANÇA

O delegado Jacques Ejzenbaum, titular da 4ª Delegacia do Patrimônio do Deic, orienta para que, caso a pessoa receba uma ligação no telefone fixo, de um suposto funcionário de agência bancária, deve ligar para o banco usando o celular em seguida.

Caso for confirmado que a instituição bancária não procurou a vítima, ela deve informar à polícia sobre o golpe.

Se a pessoa constatar que caiu em um golpe, deve ligar imediatamente para a gerência de sua agência, além de registrar um boletim de ocorrência, para que a polícia identifique os criminosos.

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