Falso massagista acusado de abusar sexualmente de influenciadoras digitais é solto

Paolla Serra
·2 minuto de leitura

A juíza Simone de Araújo Rolim, da 29ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, concedeu liberdade provisória a Matheus Calainho Cyranka, de 26 anos, que estava preso acusado de se passar por massagista para abusar sexualmente de influenciadoras digitais. De acordo com investigações da 16ª DP (Barra da Tijuca), o rapaz abordava as vítimas pelas redes sociais e propunha uma parceria: em troca de seus serviços, elas teriam que postar fotos dele para promover seu perfil. Durante o procedimento, entretanto, ele chegava a tocar as partes íntimas das vítimas e até a se masturbar.

No despacho, a magistrada argumenta que, diante da análise do inquérito, não ficou demonstrada necessidade para a manutenção da privação da liberdade, uma vez que a regra antes da sentença penal é a liberdade, devendo toda a decisão de restrição ao direito de ir e vir dos indivíduos estar fundamentada em elementos concretos. Ficou determinado que Matheus cumpra medidas cautelares, como o comparecimento mensal em juízo, a proibição de ausentar-se do estado sem prévia comunicação e ainda a proibição de acessar as redes sociais (Instagram, Facebook e Twitter) enquanto durar o processo.

Segundo a Polícia Civil, pelo menos sete mulheres foram vítimas de Matheus nos últimos dois anos - algumas delas têm mais de 100 mil seguidores no Instagram e resistiram a denunciar o criminoso por vergonha e medo da exposição. Há cerca de dois meses, porém, uma jovem que recebeu Matheus em casa para uma sessão de massagem resolveu ir até a delegacia.

Em depoimento, ela contou que o criminoso se apresentava como homossexual para não levantar “dúvidas” de seu profissionalismo. Mesmo com o marido na residência, ele acariciou suas partes íntimas. Matheus foi preso na casa de sua família, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, no dia 17 de janeiro. Aos policiais, ele admitiu não ter formação em cursos de massagem e ter aprendido algumas técnicas assistindo a vídeos no YouTube. Ele foi indiciado por violação sexual mediante fraude, crime cuja pena varia de dois a seis anos de prisão.

Em nota, os advogados Caio Cytrangulo e José Victor Moraes Barros, que defendem Matheus, comemoram a decisão judicial. “Restou comprovada a ausência de legalidade na prisão decretada em sede de plantão judiciário, motivo pelo qual o juízo competente da causa determinou a soltura do nosso cliente para responder em liberdade”, informaram.